Work Text:
O sinal do farol à frente já está quase amarelo quando Jungkook atravessa correndo a faixa de pedestres, por pouco evitando uma van em velocidade lenta, e ele só tem tempo suficiente para pular por cima de uma poça antes que a cacofonia de buzinas comece bem atrás dele.
Durante o horário de pico da manhã, tem tantas pessoas tumultuando a calçada quanto carros na rua. Jungkook passa entre os pedestres como praticar tiro ao alvo, fazendo manobras de parkour com um poste de luz e pulando sobre um banco quando quase dá de cara com um grupo de turistas idosos, que o encaram com severidade, suas atenções sem dúvida atraídas pelas tattoos que percorrem seus braços musculosos e desaparecem por baixo da manga de sua camiseta branca.
Enfia mais ainda a touca de lã na cabeça, resistindo a tentação de resmungar para que saiam do caminho. Continua seu percurso rapidamente pela rua antes de ver a placa desbotada anunciando tatuagens e piercings sobre as janelas com vidro escuro. Sem perder o ritmo, abre a porta com força o suficiente para que o sino da porta não páre de tocar até depois de ele derrapar e parar em frente a uma cortina bloqueando seu espaço de trabalho.
“Tá em cima da hora, hein, moleque. Seu primeiro cliente é daqui a cinco minutos,” Yoongi anuncia de sua sala, sem se importar em se virar.
“Não teria corrido se soubesse que ainda tinha cinco minutos,” Jungkook responde quase sem ar. “O horário é de um amigo mesmo – você sabe que eu não agendaria tão cedo de manhã se não fosse o caso.”
Yoongi murmura algo baixo o suficiente sobre “disposição do caralho.” Jungkook está prestes a retorquir quando a porta da frente faz barulho, e uma figura esguia entra no estúdio, perfumando o ar com um aroma suave de bálsamo e vestindo o que poderia se passar por um conjunto de pijama de seda.
“Taehyung, é aqui!” Jungkook o chama para a área além das poltronas que não combinam e que servem como uma sala de espera informal.
“Então esse é seu estúdio de tatuagem?”
Percorre os olhos pelo conjunto de trabalhos e prints que encobrem as paredes do local. Há uma mistura de designs que Jungkook usa como inspiração, fotografias de clientes antigos, até mesmo alguns esboços tradicionais em papel de quando ainda se focava mais em desenhar.
“Yoongi na verdade é o dono desse lugar,” Jungkook esclarece, gesticulando com a cabeça para a porta do escritório virada para a frente do estúdio. Yoongi não se preocupa em reagir à afirmação. “Ele faz piercings, mas deixa eu ter meu estúdio de tatuagem no fundo.”
“Verdade, vocês dois se conheceram quando ele furou o seu helix duplo.” Taehyung se aproxima para fazer cócegas nas mini argolas duplas em sua orelha, fazendo Jungkook dar um tapa em sua mão. “Nem parece que já faz um ano.”
“O que significa que você demorou um ano pra finalmente decidir fazer sua primeira tattoo,” Jungkook observa. “Não achei que você aceitaria minha proposta.”
“Só demorei um pouco pra decidir o que queria,” Taehyung retruca em sua defesa. “Não é algo que eu possa simplesmente desfazer.”
Procura na galeria do celular até achar a foto certa e expandí-la. Comprimindo os olhos em concentração, Jungkook estuda a imagem monocromática de um sol e uma lua se cruzando, observando Taehyung subir a barra da calça e apontar para a parte abaixo de seu tornozelo esquerdo.
“Estou pensando em fazer aqui.”
“Vai doer mais porque fica bem perto do osso,” Jungkook o alerta. Consegue sentir o breve odor de medo que Taehyung libera no ar. Fazendo som concordando, remexe numa estante atrás dele à procura de um frasco de vidro contendo óleo de lavanda. “Aqui ó, passe algumas gotas atrás das orelhas e nos pulsos. Vai ajudar a relaxar.”
Taehyung olha desconfiado para o vidrinho e se curva para cheirar. “Isso não é... para acalmar filhotes omegas quando estão agitados demais?”
“Se a carapuça serve...” Jungkook dá de ombros, fingindo se dobrar quando Taehyung dá uma joelhada em seu estômago como resposta, mas fica satisfeito que o odor de medo começa a se dissipar no ar, dando lugar a um aroma natural cálido aos poucos.
Mais tarde, Taehyung vai ser gabar que só choramingou apenas uma vez e que nem chegou a chorar (e Jungkook vai deixá-lo contar sua versão falsa da história). Embora tenha se passado apenas um ano, o aparelho de tatuagem parece uma extensão de sua mão, um membro temporário que solidifica e faz ruído conforme manobra a agulha sobre a pele lisa em traços uniformes. Não leva muito tempo para concluir o design simples em preto e branco, mas ainda sente-se feliz quando Taehyung o força a tirar várias fotos da tattoo completa de diferentes ângulos para botar nas redes sociais.
Após a sessão, Jungkook o acompanha até o lado de fora, mantendo a porta aberta enquanto Taehyung manca com cautela.
“Lembre de manter hidratado e coberto até que pare de sangrar.”
“Fiz uma pesquisa antes. Não precisa se preocupar comigo,” Taehyung responde saudando-o com dois dedos, andando de costas pela calçada–
–e imediatamente tropeçando em uma coleira de cachorro, seus braços girando futilmente no ar enquanto suas pernas ficam cada vez mais enroscadas à medida que tenta manter o equilíbrio. O cachorro não perde a oportunidade de pular em cima dele, seu rabo balançando demonstrando seu entusiasmo enquanto o dono tenta puxá-lo pela coleira.
“Não, Soonshim!” diz ele, exasperado, e Jungkook percebe primeiro o aroma doce, e então, a voz familiar se elevando no meio da algazarra. Por instinto, agarra Taehyung pelo cotovelo com uma mão para ancorá-lo e, com a outra, pega firme na coleira do cão, afastando os dois para que o dono possa rapidamente desenroscar a alça em torno das pernas de Taehyung.
“Obrigado pela ajuda, Jungkook,” ele diz, grato, e Jungkook quase solta a coleira acidentalmente ao escutar seu nome, a voz de Jimin mais sem ar do que de costume por conta do esforço. Não tem tempo suficiente para reagir quando Jimin se abaixa perto de Taehyung, procurando por rasgos ou arranhões em sua roupa. “Me desculpa! Soonshim ainda é um filhote, então ela fica um pouco agitada demais perto das pessoas. Espero que não tenha se machucado.”
“Não se preocupe, eu estou bem. Só fui pego de surpresa,” Taehyung o assegura, sua atenção ainda no filhote, e Soonshim se liberta da mão de Jungkook, indo de encontro aos braços de Taehyung e dando-lhe várias lambidas calorosas.
“Agora ela nunca mais vai te largar,” Jimin comenta em tom irônico, desistindo completamente de controlar a coleira.
Taehyung segura o rosto do filhote com as duas mãos e enfia o nariz no pelo macio. “Quem ousaria largar essa fofura?”
Jungkook dá um tapinha em sua testa. “Falando nisso, você não vai se atrasar pra faculdade? Você disse que só tinha a manhã livre porque tinha aula logo em seguida.”
“Que bela maneira de arruinar o momento,” Taehyung reclama, fazendo biquinho para ele mas se levantando, tirando o pó e pelos de sua calça. “Soonshim e eu mal nos conhecemos e já estamos sendo cruelmente separados desse jeito.”
Jungkook revira os olhos com o drama, mas sente-se aliviado que Taehyung parece ter completamente esquecido da dor resquícia de sua nova tattoo, não mais mancando com o tornozelo afetado quando se afasta por alguns passos.
“Eu passeio bastante com ela por aqui, então talvez você possa vê-la de novo se voltar mais pra frente,” Jimin faz uma observação, amarrando a alça mais firmemente ao redor do pulso.
“Parece que isso resolve se precisarei de outra sessão,” Taehyung diz com voz fofa para Soonshim, que ainda puxa a coleira. “Kook, você devia pagar comissão pela propaganda. Pensa em todas as oportunidades que ela geraria.”
“Minha carga atual de trabalho está ótima,” Jungkook responde sarcasticamente, empurrando-o para a direção da estação de metrô. Taehyung faz biquinho de novo e lança um último olhar melancólico por cima do ombro.
Soonshim retribui o olhar triste, esperando com as orelhas atentas por alguns segundos, mas então percebe que Taehyung está indo embora de verdade. Com um latido alto, ela sai em disparada, puxando e fazendo Jimin perder o equilíbrio e colidir diretamente com Jungkook, que quase não consegue segurá-lo antes que os dois caiam.
A proximidade é embriagante. Assim de perto, o aroma doce se intensifica de tal modo que consegue sentir as notas de cassis e pêssego que aperfeiçoam o cheiro de Jimin, deixando-o atordoado momentaneamente. As mangas da blusa de Jimin deslizam para baixo, quase que completamente encobrindo seus dedos que seguram os ombros de Jungkook para manter o equilíbrio, e Jungkook morde a parte interna de sua bochecha com força para conter a vontade de cobrir a mão dele com a sua apenas para ver a diferença de tamanhos.
“Desculpa,” Jimin murmura, seus dedos ainda segurando o tecido de sua camiseta logo abaixo da gola. “Prometo que sou normalmente mais gracioso que isso.”
“Tudo bem, tenho uma boa coordenação óculo-manual,” Jungkook responde, levemente atordoado, sentindo sua temperatura corporal subir quando Jimin olha para onde suas mãos ainda seguram firmemente sua cintura. Tira as mãos rapidamente como se queimassem, apressando-se para esclarecer, “porque eu trabalho com tattoos todo dia.”
Soonshim interrompe com um latido descontente e morde um de seus cadarços como forma de protesto. Jimin se endireita e dá um passo para trás, levantando a cabeça para olhar para Jungkook. Seu sorriso é ofuscante.
“Quem sabe eu veja suas mãos em ação uma hora dessas,” responde com uma piscadela, fazendo Jungkook congelar bem no momento que Jimin se deixa ser arrastado.
Quando Jungkook retorna para o estúdio, Yoongi está agendando seu primeiro cliente do dia. Passos largos o levam para além do espaço para piercings até a parede no fundo onde mantém um calendário em seu moodboard próximo a vários esboços inacabados e lembretes de horários agendados. Com um lápis, encontra a data atual e faz um risco na diagonal e, em seguida, uma pequena estrela. Jungkook percorre o dedo para cima pelas colunas, silenciosamente contando as marcações. Na semana anterior, Jimin parou em frente ao estúdio três vezes; na retrasada, duas vezes. Dessas cinco, Jungkook conversou com ele duas vezes. É um progresso. Pensa se deveria começar uma nova contagem para toda vez que Jimin usa uma de suas blusas gigantescas que sempre mostram suas clavículas perfeitas.
“Poupe todo esse trabalho e chame ele logo pra sair.”
Yoongi soa entendiado, mas quando Jungkook se vira, seu olhar demonstra um desafio velado.
Deixa o braço cair. “Não posso. É impossível ele estar interessado em mim já que ele é, voce sabe...” Jungkook deixa a frase no ar, sua voz falhando. “Um omega.”
“Você acha mesmo que ele vai te dar um fora só porque você não é alfa?” Yoongi ainda não parece se impressionar, como se não entendesse porque Jungkook insiste em tornar o que deveria ser um problema fácil em algo mais complicado.
Jungkook finge se ocupar limpando sua mesa depois da sessão com Taehyung. “Só não consigo imaginar isso dando certo.”
Do outro lado da sala, Yoongi suspira alto o suficiente para se escutar mesmo de costas.
“Eu sei o quanto você odeia quando as pessoas ficam assumindo coisas sobre você. Talvez você não devesse fazer o mesmo com Jimin.”
E mesmo que saiba que o que Yoongi diz seja verdade, não consegue evitar uma linha de incerteza de ficar tensa dentro de si, amarrada ao redor de desculpas esfarrapadas que não passam de sua garganta.
Uma semana depois, Jungkook teve apenas tempo para descansar o copo de café e esconder um bocejo quando o sino da porta anuncia a chegada de alguém. O som o assusta, e ele olha por cima do ombro surpreso, encontrando Taehyung, quem levanta a aba de seu chapéu bucket imitando uma saudação.
“Ah, que bom que você está aqui! Estava preocupado que não conseguiria te ver.”
Jungkook pisca os olhos para ele, a cafeína ainda não fazendo efeito em seu corpo. “É minha vez de abrir o estúdio hoje.” Seu olhar desce para o tornozelo de Taehyung, preocupado. “Tem algo de errado com sua tattoo?”
Taehyung nega com a cabeça rapidamente. “Não, não. Eu amei como ficou, então quis dar uma passada pra ver alguns designs pra uma segunda tattoo, talvez.”
Ergue a barra da calça para mostrar orgulhosamente a tinta cicatrizada ainda recente em sua pele, e Jungkook se abaixa para dar uma olhada, percorrendo com um dedo cuidadosamente sobre a superfície para checar a textura. “Que bom ouvir isso,” comenta aliviado.
“Estou pensando em fazer um design que combine no outro calcanhar. Não igual, mas algo parecido.”
Jungkook solta um “Hmm”, ponderando sua resposta. Conhecendo Taehyung de anos, já o viu se deixar levar pelo o que tivesse interesse no momento, do tipo de molhar um dedinho antes mergulhar de cabeça no momento seguinte.
“Quando as pessoas fazem a primeira tattoo, elas normalmente não conseguem parar de pensar na próxima e na outra depois disso. Só se passou uma semana, então por que você não pensa com mais calma em vez de apressar?”
Taehyung pisca os olhos com o cenho franzido. “Tá querendo dizer que eu não penso direito?”
“Estou surpreso que você sequer pense,” retruca, facilmente se esquivando do soco de mentira do outro.
“Então é assim que você trata seus clientes,” Taehyung resmunga antes de olhar ao redor. “Aliás, o filhote com o dono bonitinho não está aqui hoje.”
“Ah, Jimin? Ele não costuma passar por aqui antes do meio dia. O outro dia deve ter sido exceção.” Quando Taehyung levanta a sobrancelha, Jungkook rapidamente acrescenta, “Tipo, é o horário que eu vejo ele na rua.”
“Ah, tá.”
“E ele é passeador de cães, então Soonshim não é dele, mas ele anda com ela de terça e quinta.” Taehyung lança-lhe outro olhar, e Jungkook limpa a garganta. “Ãh, de novo, é só com base–”
“–no que você acabou percebendo, é isso?” Taehyung completa sua frase, tentando segurar um sorriso malicioso.
“Voltando ao assunto,” Jungkook murmura, virando Taehyung e o empurrando firmemente em direção à porta. “Espere pelo menos até que sua primeira tattoo cicatrize completamente antes de voltar pra fazer outra.”
Taehyung tenta frear com os pés, mas não consegue tração o suficiente com seus chinelos, e Jungkook o domina, deslizando-o à força pelo piso do estúdio. Está prestes a arremessá-lo para a porta quando esta se abre de repente, sendo o barulho do sino o único aviso antes de Taehyung colidir de cara com uma flanela gigante.
“A gente realmente precisa parar de se encontrar desse jeito,” Jimin resmunga quando se equilibra.
O aroma de Taehyung fica mais forte imediatamente, o bálsamo acentuando-se com um toque de vergonha. “Não é de propósito,” diz, uma mão ainda segurando o ombro de Jimin para se equilibrar. Jungkook resiste ao impulso de puxá-lo para trás.
Jimin olha para ele por cima do ombro de Taehyung. “Eu vim conversar com Jungkook sobre um negócio, mas posso voltar mais tarde se estiver ocupado.”
“Não, ele já estava indo embora,” Jungkook deixa escapar ao mesmo tempo que Taehyung diz, “Ele é todo seu,” com um olhar ardiloso. Ignora descaradamente o grito que Taehyung solta quando o belisca na região da cintura, vingando-se.
Espera até que Taehyung esteja fora de seu campo de visão antes de se voltar para Jimin, que esconde o riso atrás da mão. Que quase nem aparece, mais manga da blusa do que a própria mão. Jungkook já sente o calor percorrer o corpo, e leva um segundo para se concentrar em respirar para se acalmar.
“Passo na frente todo dia, mas nunca entrei aqui antes.”
“Ah, eu devia ter te convidado antes–”
“Não, não é isso que quis dizer,” Jimin o corta rapidamente, seus olhos percorrendo as tatuagens nos braços de Jungkook. “Sempre admirei seu trabalho e pensei que talvez eu devesse fazer um orçamento.”
Jungkook pisca os olhos para ele, confuso. “Você não é dançarino? Pensei que não pudesse ter tatuagens porque várias agências proíbem.”
“Você sabe que eu danço?” Um olhar de surpresa toma conta do rosto de Jimin, transformando-se em um sorriso curioso.
Jungkook se xinga internamente. Seu corpo estremece, seus músculos rígidos apenas pela tensão, mas não sabe dizer se é por conta da cafeína matinal ou a proximidade com o aroma de Jimin. As paredes do estúdio sempre foram tão próximas assim?
“Acho que alguém comentou antes,” murmura, desviando o olhar e ignorando que, quando disse ‘alguém’, referia-se ao seu histórico de busca do Facebook.
“Que fofo,” Jimin comenta, fazendo Jungkook levantar o rosto bem a tempo de ver as bochechas de Jimin corarem. “Ãh, eu quis dizer os designs.” Ele aponta para os esboços grudados no quadro de inspiração acima de seu local de trabalho.
Jungkook passa por trás dele e tenta não encarar sua nuca. A diferença de altura tornaria tão fácil colocar seu queixo sobre o ombro de Jimin, bem ali onde uma parte de sua pele pálida está exposta pelo colar da camisa desabotoada. Jungkook enfia as mãos nos bolsos, cerrando os punhos.
“Flores e estrelas são os pedidos mais comuns, principalmente para semre as primeiras tatuagens.”
Jimin olha para ele por cima do ombro, seu cabelo quase tocando a bochecha de Jungkook, e Jungkook fica paralizado com a proximidade, como o aroma de Jimin parece envolvê-lo como uma névoa, momentaneamente cegando sua visão.
“Você tá certo que desencorajam dançarinos de terem tatuagens,” Jimin murmura, sua voz quase um ronronado, “mas não teria problema se eu tivesse uma onde ninguém pudesse ver, né?”
Jungkook está tão tenso que se alguém acendesse um fósforo ali mesmo, tem certeza que seu corpo inteiro pegaria fogo. “Posso fazer isso,” responde, petrificado.
“Por que não discutimos isso melhor outra hora?” Jimin diz lentamente, ou talvez Jungkook esteja apenas entendendo as palavras em um ritmo glacial, pois sua mente está muito ocupada memorizando o jeito exato que a boca de Jimin se abre, mostrando um pouco de sua língua.
“Tipo, em particular?”
Jimin ri, um som suave que enche seu peito. Jungkook pensa vagamente se não poderia gravar e substituir o sino da porta por isso.
“Estava pensando em beber, no caso. Se for tudo bem pra você.” Sua voz soa envergonhada no final, incerta.
Mesmo com sua mente totalmente embaçada, a resposta sai dele como um comando. “Claro que sim,” respira e observa, hipnotizado, Jimin sorrir largo, sua reação aquecendo-o de dentro para fora.
Jungkook fita a fachada neon acima da entrada do bar e então para seu celular para chechar de novo o endereço. Uma batida grave abafada se infiltra pelas aberturas das portas de vidro, junto com o barulho de vozes e sons de jogos variados. Percorre a lista de contatos e aperta um dos números da discagem rápida.
“Você não me contou que aqui era um bar fliperama,” sibila assim que ouve o outro atender a ligação. “Jimin vai achar que eu sou uma criança!”
“Tá meio tarde pra isso, não acha?” Mesmo pelo telefone, a voz de Yoongi parece entediada. “Confie em mim, aí é um ótimo lugar para um primeiro encontro.”
“Sabia que devia ter pedido sugestão de Namjoon em vez disso,” Jungkook resmunga em voz baixa.
“Ei, isso é importante,” Yoongi diz, sua voz ficando mais séria. “Lembre-se de deixar ele ganhar pelo menos uma vez hoje à noite, entendeu? Eu sei o quanto você é competitivo, mas você nunca vai transar se você detonar ele em todos os jogos.”
De repente distraído por Jimin que está virando a esquina, Jungkook murmura um rápido, “Ah, tá, claro,” antes de desligar e enfiar o celular no bolso da jaqueta. Tem tempo suficiente para ver seu reflexo e rapidamente passar uma mão pelo cabelo antes de Jimin vê-lo, seu rosto se iluminando. Mesmo cercado por pessoas bebendo e fumando, consegue sentir o aroma de Jimin imediatamente, o doce sobrepondo a discórdia de cheiros opostos da multidão ao redor deles.
“Espero que eu não tenha feito você esperar.” Puxa as mangas do suéter sobre os pulsos e Jungkook nota surpreso que não só a blusa dele é coberta de furos enormes, mas que ele claramente não está usando nada por baixo. De certa forma, o bar fliperama agora é uma de suas menores preocupações pelo resto da noite.
“Não, eu acabei de chegar também,” consegue responder, dando um passo para a frente para manter a porta aberta, qualquer coisa para manter-se ocupado para não ficar apenas secando o peito engenhosamente exposto de Jimin.
A situação melhora quando os dois entram e Jungkook pode se distrair observando os diferentes jogos de fliperama. Após pedir bebida para os dois no bar, encontra Jimin absorto com a máquina de pinball, focado em seguir o trajeto da bolinha pelo labirinto. O tema é espacial, cheio de sons de naves e lasers brilhando sempre que a bolinha salta de um buraco. Quando o placar aparece após a última rodada, Jimin sacode a longa fita de tíquetes de prêmio que sai da máquina.
“Desculpa, você deve estar cansado de me ver jogar,” ele diz, virando-se para encará-lo. Jungkook balança a cabeça, mas Jimin o puxa pelo braço. “Por que a gente não escolhe um que dá pra gente jogar um contra o outro?”
O aviso de Yoongi passa pela mente de Jungkook, e ele hesita. Jimin parece perceber isso, pois ele rapidamente tira sua mão de seu braço, o contrário do que Jungkook queria que acontecesse. Alguém esbarra neles por trás e ele usa a oportunidade para ficar mais próximo de Jimin, curvando-se para falar perto de seu ouvido.
“Vamos dar uma volta e ver o que tem,” sugere, comprando tempo.
Eles andam apenas alguns passos antes de Jimin dar um gritinho e agarrar a manga de Jungkook para puxá-lo em direção à máquina de garra em um canto.
“Eles têm a pelúcia do Piske! É o meu favorito.” Ele aponta para um bichinho pequeno e branco em meio ao mar de bichinhos de pelúcia variados. “Sempre quis um, mas eles são tão difíceis de conseguir.”
Um desejo imenso de conseguir a aprovação de Jimin surge bem de dentro dele como uma coceira misteriosa que exige atenção, e Jungkook sente-se puxado para a frente por uma urgência invisível. “Segura minha cerveja,” ele diz, determinado.
Anos de trabalho com tatuagens aprimoraram seu controle muscular e coordenação óculo-manual, mas logo percebe porque o pintinho branco é mais difícil de conseguir. Consegue um Usagi enorme segurando a asa de Piske na primeira tentativa. Na segunda, consegue agarrar o bichinho certo, mas ele cai bem perto da boca, e na terceira, Jungkook quase levanta a máquina e a chacoalha de cabeça para baixo, até que finalmente consegue Piske na quarta tentativa.
Jimin comemora, colocando as bebidas deles em algum lugar para poder agarrar o prêmio, animado. “Você é demais!” ele sorri largo, e Jungkook cora, a coceira misteriosa aumentando, uma onda de calor subindo-lhe o peito e pescoço.
“Park Jimin sempre tem alguém pra fazer o trabalho dele, hein? Por que não estou surpreso?” uma voz vem de trás deles, e ele se vira, surpreso.
A primeira coisa que percebe é o rosto do estranho – isto é, Jungkook não se recorda da última vez que viu alguém tão bonito pessoalmente. A segunda é sua altura, que faz Jungkook se endireitar completamente, e então seus ombros largos e braços tonificados, um dos quais descansa sobre o ombro de Jimin.
“Não lembro de ter ouvido um de meus dates reclamar antes,” Jimin zomba, tirando seu braço em tom de brincadeira.
Com tanta gente ao redor, Jungkook não consegue sentir o aroma particular do estranho, mas fica claro com o jeito que o corpo de Jimin relaxa que os dois se conhecem. Mesmo assim, Jungkook sente-se irrequieto, alerta de repente, atento a todo movimento que o estranho faz, embora saiba que não tem porque se comportar tão territorialmente.
Jimin se vira para ele. “Esse é Seokjin, estudamos na mesma universidade.”
Seokjin sorri cumprimentando-o, embora Jungkook não perca a aprovação evidente do outro quando percorre os olhos por sua figura; eles pairam sobre sua gola aberta, onde o final da tatuagem de seu braço aparece por debaixo da jaqueta, curvando-se sobre a pele de seu bíceps.
“Jungkook,” responde, direcionando a atenção de Seokjin de volta para seu rosto. “Você também faz dança?”
A troca de olhares é interrompida por Jimin se dobrando de dar risada, seu corpo todo balançando por conta disso.
“Eu pagaria pra ver Jin dançar,” ele brinca. “Não, ele estuda artes cênicas. Senão seria um desperdício de sua beleza.”
Seokjin revida com um soco de mentira no estômago de Jimin, que termina em cócegas, e Jimin dá um grito, esbarrando direto no peito de Jungkook. O baque não faz nada, mas ele instintivamente leva as mãos para a cintura de Jimin, equilibrando-o antes de voltar a atenção para Seokjin, seu olhar ficando mais duro.
Se Seokjin fica incomodado com o desafio não mencionado, não comenta nada sobre, sua expressão cuidadosamente neutra. “Bem, deixa eu voltar para os meus amigos. Só queria dar um oi.”
Jimin ergue uma sobrancelha. “E pra dar uma olhada no meu date?”
“E pra dar uma olhada no seu date,” admite, nem um pouco envergonhado. Curva-se exageradamente para os dois, lançando mais um último olhar curioso para Jungkook antes de sair.
Aguarda até que Seokjin esteja fora do alcance para comentar, “Vocês parecem próximos.”
“Jin e eu temos uma longa história,” Jimin responde descontraidamente, então pára e o contempla, inclinando a cabeça para o lado. O olhar penetrante faz Jungkook lembrar de suas mãos na cintura de Jimin, e ele o solta. Dá alguns passos para trás para não ficar muito em cima, mas Jimin passa um dedo por uma das alças de sua calça para puxá-lo para mais perto, fazendo-o perder o fôlego.
“Ãh, entendi–” Jungkook gagueja, engolindo ar quando fica tonto com o aroma de Jimin tão próximo de si, forte o suficiente para saber que vão ficar em suas roupas mesmo horas depois de se separarem.
“Ele é só um amigo próximo,” Jimin repete, cerrando as pálpebras. “E prometo que ele nunca ganhou um bichinho de Piske pra mim antes.”
Percorre o dedo pelo zíper de sua jaqueta, bem onde está o cós de sua calça jeans. Jungkook sabe que o outro está apenas o provocando, mas sua mente está a mil por hora, seus pensamentos tão embaralhados quanto um labirinto sem começo nem fim. Pergunta-se quem é o jogador e quem é o jogo agora. Onde quer que seus quadris e coxas se tocam espalham calor por todo seu corpo, cada contato se iluminando como os alvos de uma máquina de pinball atingindo uma fileira de jackpots todo o caminho até embaixo.
Algumas horas e o equivalente em bebidas mais tarde, não leva muito tempo para o conselho de Yoongi fugir da memória. Em algum momento entre acabar com a máquina de basquete e quebrar o record no jogo de corrida, Jungkook se esqueceu sobre parecer uma criança. Jimin ficou de bico um pouco após a terceira vez que Jungkook acabou com ele no Mortal Kombat, mas, fora isso, nem parecia estar chateado com isso. Ele era para casar mesmo.
Oferece acompanhá-lo até a casa dele quando descobre que seu apartamento não é tão longe e também porque está animado por conta da noite e não está preparado para que tudo acabe ainda. A nova estação não começou ainda, mas o vento continua gelado, diferente do começo da noite. Jimin tenta ajustar a blusa, e Jungkook faz bem em não comentar que nada vai fazer os buracos dela desaparecerem. Após alguns segundos observando Jimin abraçar Piske mais apertado e tentando não tremer, Jungkook tira a jaqueta.
“Eu não sinto tanto frio, e você parece que precisa disso mais do que eu,” ele argumenta, colocando a jaqueta sobre os ombros de Jimin quando o outro hesita em tomá-la.
“Obrigado,” agradece, então olha de soslaio. “Me diverti muito hoje.”
“Eu também,” Jungkook responde, e ele tem certeza que o suor de suas mãos não é somente pela temperatura de seu corpo estar alta.
Não há mais ninguém na rua quando eles param em frente ao prédio de Jimin, e o silêncio da noite apenas amplia o nervosismo de Jungkook, que não tem certeza no que focar ou onde enfiar as mãos. Um pensamento repentino quebra a tensão, e ele estala os dedos, tomando Jimin de surpresa.
“Esquecemos de discutir sua tattoo,” diz, incrédulo com si mesmo. “Você precisa ter certeza do que quer, pra não se arrepender...”
Sua voz se esvai quando Jimin se aproxima, as pupilas de seus olhos luminosas sob a luz suave dos postes de luz. “E se eu já venho pensando nisso por um bom tempo?” murmura.
Jungkook engole seco, mais para ter certeza que sua garganta ainda está funcionando, pois nada sai dela. Jimin diminui a distância separando eles, e a boca de Jungkook volta à vida bem a tempo de retribuir o beijo, saboreando os lábios carnudos de Jimin quando eles se abrem contra os seus.
Tão rápido quanto começa, Jimin interrompe o beijo, estremecendo, afastando-se abruptamente. Jungkook sente o peito pesado quando vê a expressão conflitante no rosto do outro, sem um resquício de toda aquela confiança de antes.
“Espera, eu preciso te contar uma coisa,” Jimin diz, fechando os olhos.
Jungkook sente os braços se arrepiarem, sua respiração ficando gélida. Ele entendeu tudo errado. Jimin está prestes a dizer para ele que a noite foi um erro, ou que não pode namorar Jungkook após vê-lo acabar com um saco de doces em duas bocadas, ou que ele já gosta de outra pessoa – provavelmente aquele amigo da universidade, que é mais alto que Jungkook e de ombros mais largos. Sabia que não devia ter nocauteado Jimin tão violentamente no último jogo; agora era tarde demais.
Jimin respira fundo e olha bem no fundo de seus olhos. “Eu não sou quem eu pareço ser.”
“Você não é passeador de cães?” Jungkook pergunta com a voz fraca.
Jimin para, surpreso. “Quê? Não. Quero dizer–Quero ser claro, ãh, mesmo que você não tenha dito nada–” Uma longa pausa, cada segundo aumentando a escuridão ao redor deles. “Eu não sou ômega.”
Jungkook torce o nariz, inconscientemente curvando-se para cheirá-lo. “Você é beta? Como assim? Eu consigo sentir seu cheiro.”
“É porque eu também não sou beta.” Jimin parece envergonhado, suas bochechas corando. Olha para baixo para a pelúcia ainda em sua mão, percorrendo o polegar pela superfície, nervoso. Se possível, o aroma doce radiando dele se intensifica ainda mais. “Meu cheiro sempre foi meio esquisito, mas... Eu sou alfa.”
O que quer que Jungkook tenha esperado, isso não era uma delas. Dá um passo para trás, chocado, antes que fragmentos do passado se juntam como um desenho prestes a finalizar, a clareza mostrando tudo o que vêm acontecendo. Tudo agora faz sentido. Sua atração por Jimin, o desejo insistente de agradá-lo, um farol dentro dele respondendo a um sinal inegável, tão primitivo quanto persuasivo.
“Mentira,” solta de olhos arregalados. “Você não ser ômega é perfeito.”
As sobrancelhas de Jimin se contraem, alarmado. “Não tem nada de errado em ser ômega.”
“Claro que não,” Jungkook responde rapidamente. Caça um guardanapo do bolso e fricciona o lado de seu pescoço e então seus pulsos. “Você não ser ômega é perfeito, porque– porque eu sou ômega.”
É a vez de Jimin ter a mesma reação de Jungkook, seu queixo caindo, incrédulo. “Mas eu nunca senti seu cheiro antes.”
“Eu uso um neutralizador,” explica. “Ninguém acha que eu sou ômega por causa da minha aparência e pelo meu trabalho, então fiquei cansado de responder às mesmas perguntas toda vez. Não é da conta de ninguém de qualquer forma.”
“Você tá certo, eu nunca pensei...” Jimin deixa a frase no ar, então fica nas pontas dos pés para cheirar o pescoço de Jungkook. “Você cheira roupa limpa,” dá uma risadinha. “Ar puro. Como um Dia de Primavera limpo.”
Ele cora, seu corpo já reagindo ao escrutínio de Jimin. “Você achou que eu não ficaria interessado só porque você é alfa?”
“Você tem que ver quantas pessoas mudam de ideia quando descobrem que eu não sou o ômega que elas esperam.” Jimin balança a cabeça. “Até betas.”
Jungkook se lembra das palavras de Yoongi e suas próprias suposições, sentindo-se culpado. “Só estava preocupado que você não iria se interessar quando soubesse de mim.”
Os olhos de Jimin escurecem, suas pupilas afilando com ferocidade. “Teria que ter mais do que um neutralizador pra tirar meu interesse por você.”
Ele avança novamente e, dessa vez, o beijo é cuidadosamente calculado, cheio de significado e sem qualquer traço de hesitação ou recuo. Jungkook leva as mãos para o rosto do outro, traçando círculos na pele macia atrás das orelhas de Jimin, e ele inclina a cabeça para ter um melhor ângulo, abrindo a boca de Jimin para lamber o calor de dentro.
“Vamos subir,” Jimin arfa antes de segurá-lo pelo pulso e puxando-o para dentro do prédio. Jungkook se surpreende que consegue subir as escadas e chegar até a porta do apartamento de Jimin com a camisa ainda intacta, do jeito que Jimin quase a arranca ao querer mais contato com sua pele, puxando o tecido para expor seu abdômen.
Eles se separam apenas para Jimin ter tempo de escancarar a porta. Piske é o primeiro a ser descartado, então sua jaqueta, e Jimin o tem contra a parede enquanto luta com o interruptor antes que as luzes fluorescentes os iluminem, fazendo Jungkook ficar tenso de repente, finalmente dando-se conta que está dentro do apartamento de Jimin com a camisa arrancada pela metade.
Jimin percebe a mudança em seu humor e se afasta, recuperando o fôlego. “Quer tomar alguma coisa? A gente bem que precisava beber água.”
Ele desaparece na esquina para a cozinha, e Jungkook usa a oportunidade para observar a sala. É o esperado de um estudante de faculdade. Com todo o seu stalking no Facebook, nunca tinha pensado onde ou como Jimin vivia. Talvez teria assumido que o apartamento de Jimin fosse como ele, cores suaves e tecidos enormes. A realidade é mais clínica, com fronhas monocromáticas e action figures alinhados nas prateleiras. Quem é a criança agora, Jungkook ri internamente.
Jimin reaparece com dois copos de água, colocando uma sobre a mesa de centro antes de se sentar, suas coxas flexionando sob a calça jeans de um jeito que faz a garganta de Jungkook ficar seca.
“Fique à vontade.” Gesticula com a cabeça para o assento ao seu lado.
Jungkook olha para as pernas abertas de Jimin e sente seu corpo esquentar, então se aproxima e tira o copo de suas mãos antes de sentar em seu colo.
“O que está fazendo?” Jimin começa a rir.
“Ficando à vontade,” diz com inocência. Sua bravata logo evapora quando Jimin continua a rir, e ele começa a se levantar quando Jimin o puxa de volta com firmeza, forçando-o a montar nele.
“Não, fica.” Uma mão passa por debaixo de sua camisa, e dessa vez Jimin consegue tirá-la por cima de sua cabeça e arremessando-a para se juntar à jaqueta no chão.
Jimin ondula o quadril, e Jungkook sente a primeira secreção umedecer o fundo de sua calça. “Você ainda está usando muita roupa,” murmura, ficando de joelhos para se livrar da blusa de Jimin rapidamente, então tirando ambas as calças até que as roupas íntimas sãos as únicas que restam.
Os dois pausam, observando um ao outro. Jimin percorre os lábios ao longo de seu ombro até os músculos de seu pescoço, traçando sua tatuagem de pássaros voando.
“Você precisa me contar o que todas as suas tatuagens significam uma hora dessas,” murmura, sua respiração fazendo cócegas em sua clavícula.
“Mas não agora,” responde, empurrando Jimin no sofá para que tenha espaço para passar as mãos por suas coxas, seus polegares pressionando a a carne tenra. “Minha boca tem coisas melhores pra fazer.”
Vê o pau de Jimin intumescer debaixo da cueca boxer, umedecendo com fluído pré-ejaculatório, e ele percorre a língua no local, sugando através do tecido. Jimin geme grave pele garganta, o som tendo efeito direto em sua virilha. Sua bunda já está encharcada.
Com dedos ágeis, consegue se livrar de sua cueca sem tirar a boca do pau coberto de Jimin, sentindo este enrijecer completamente. Finalmente, remove a peça, observando com atenção o membro ficar livre, quicando na planície de seu abdômen. Fica claro que Jimin tem o corpo de um dançarino – flexível e perfeitamente esculpido com poder altamente compactado.
Deixa um chupão na pele lisa bem acima do quadril de Jimin, sentindo o músculo se contrair com o estímulo, e Jimin percorre a mão pelo cabelo de Jungkook, fechando o punho com força. “Mal posso esperar pra sentir você dentro de mim.”
A cabeça de Jungkook se ergue rapidamente, tão atordoada de desejo que ele tem certeza que deve ter ouvido errado. “Espera, quê?” Engole ar, arfando. “Mas você não é alfa?”
Jimin zomba, encarando-o diretamente. “Quê, a gente tá nos anos 50 agora?” Quando Jungkook não responde imediatamente, ele suaviza o tom, acariciando os piercings adornando sua orelha. “Eu posso ser ativo se você preferir. Você é muito gato, então, sério, topo qualquer coisa.”
“Não é isso.” Jungkook cora, tomado pelo desespero de fazer qualquer coisa que Jimin queira. Sua visão se reduz com o desejo de agradá-lo, todas as células de seu corpo preparadas para um propósito. “É que eu– eu nunca comi ninguém antes.”
Os olhos de Jimin se arregalam. “Nem um beta?”
Quando Jungkook apenas cora ainda mais, Jimin se endireita, determinado. Empura Jungkook até que esteja sentado sobre as próprias pernas com Jimin pairando sobre seu colo, e os joelhos de Jungkook se abrem para revelar sua ereção e a secreção cobrindo sua virilha.
Jungkook observa com a respiração falha Jimin passar dois dedos pela secreção acumulada, e então insere os dedos por trás de si, preparando-se. Jungkook está convencido que seu queixo está permanentemente deslocado a este ponto e pode nunca mais voltar no lugar.
“Não se preocupe, amor. Vou fazer você sentir muito prazer.” Jimin o beija, e a sobrecarga sensorial é quase demais da conta – sentindo-o na língua, seu aroma doce misturado com o cheiro do desejo deles, sabendo que Jimin está se preparando usando sua secreção.
Jimin se posiciona, cuidadosamente guiando o pau de Jungkook para seu ânus, e lentamente se abaixa até que sua bunda encoste nos quadris de Jungkook. Os dois gemem com a sensibilidade, e o calor intenso deixa Jungkook sem ar, faz ele querer marcar Jimin inteiro para que nunca esqueça dessa sensação.
“Tá tudo bem, Jungkook?” Jimin sussurra. Quando Jungkook consegue apenas concordar com a cabeça silenciosamente, ele se ergue até a metade de seu pau, a fricção de suas paredes internas ainda mais estonteantes. “Mete em mim, amor.”
O apelido causa uma corrente de desejo percorrer seu corpo. Tudo parece escorregadio com a secreção, os membros de seu corpo lânguidos e fracos devido ao calor, mas o comando o faz focar novamente, lembrando-o do desejo irresistível de satisfazer Jimin, fazer tudo o que ele mandar.
Segura Jimin pela cintura para ter o melhor ângulo, e então começa a meter, preenchendo-o em um só movimento suave. Fica hipnotizado com o jeito que Jimin abre a boca, seu olhar se escurecendo até que sejam pequenas fendas brilhantes com cada um de seus suspiros. Leva mais algumas estocadas para encontrar o ritmo certo até que Jimin esteja pulando por conta da força de seus movimentos, e Jungkook fecha a mão ao redor do pau de Jimin, estimulando a cabeça com seu polegar no mesmo ritmo de seu quadril.
Eventualmente, não é o suficiente, e ele empurra Jimin para que fique deitado de costas, ficando de joelhos para colocar uma das pernas dele sobre seu ombro. A posição nova permite que ele foda Jimin em um ritmo brutal, e o cômodo se enche com seus gemidos e os sons molhados de pele contra pele molhada.
O corpo de Jimin se paraliza bem antes de ele gozar em cima de todo seu estômago, e a visão desencadeia seu próprio clímax, seu pau estremecendo enquanto goza dentro de Jimin. Quando finalmente retira seu membro, observa fascinado seu gozo gotejar do ânus de Jimin, misturando-se à secreção espalhada sobre sua bunda.
Internamente, pensa se conseguirá algum dia olhar para Jimin sem pensar nesta imagem.
Jimin acaricia o cabelo de Jungkook. “Tem certeza de que essa é sua primeira vez fodendo alguém? Podia ter me enganado,” brinca.
O elogio faz uma onda remanescente de calor subir até seu peito, e ele esconde seu rosto corado inclinando-se para beijar a clavícula de Jimin, inalando profundamente o aroma pós-coital. Se pensava que Jimin tinha um cheiro delicioso antes, agora não se sente preparado pelo jeito que cheira tão sedutoramente, tão viciante quanto uma droga, e possivelmente tão perigoso quanto.
Jungkook se obriga a se levantar do sofá e cambalear até o banheiro, retornando um momento depois com uma toalha de mão para poder limpar cuidadosamente o sêmen espalhado pelo peito de Jimin. Enquanto vai descendo, percebe o chupão que fizera anteriormente, a descoloração da pele de Jimin lembrando-o de tinta borrada.
Levanta o rosto para olhar para Jimin. “A gente acabou não discutindo sobre sua tattoo hoje à noite,” ele diz, batendo na própria testa.
Jimin ri, segurando o rosto com ambas as mãos, pensativo. Jungkook pensa sobre como ele parece, cheira e soa como o melhor prêmio que já conseguiu na vida.
“Parece que teremos que agendar um novo encontro, então.”
