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Mi casa, su casa (BraArg)

Summary:

Com toda sinceridade, Argentina não sabia porque ele tinha aceitado, mas ali estava ele, no país do futebol, sentindo a areia da praia no pé, encarando sedento um quiosque de água de coco, e, por estar distraído (ou sofrendo de insolação, de acordo com ele), levando uma cortada na cara. Era oficial, ele não sabia jogar vôlei, e menos ainda no calor infernal do Brasil, ainda assim, por algum motivo, vendo seu arqui-inimigo rir tanto que os joelhos cederam e ele caiu no chão, ele pensou que tudo aquilo estava sendo estranhamente divertido.

Ou: um volleyball AU dos meninos BraArg porque eu queria muito escrever sobre eles descamisados jogando na praia apenas.

~~ fortemente inspirado nas artes da Nikkiyan_arts ~~

Chapter 1: Um: Se vocês se odeiam tanto...

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

— Vem cá, se vocês se odeiam tanto, porque você está indo com ele de volta pro Brasil, Argentina? — Colômbia perguntou, com um sorriso de quem sabe mais do que deveria.

— Vôlei... ele disse que vai me ensinar a jogar vôlei. — Argentina respondeu, tossindo levemente, o rosto inteiro ficando meio vermelho, por que sempre parecia que ela estava o acusando de alguma coisa quando o assunto era o maldito do Brasil?

— Hm... entendi, não sabia que você tinha esse interesse todo em... vôlei. Vôlei, claro. — Novamente, o tom não combinava em nada com o sorriso doce dela.

— Vê se me erra, Colômbia.

— Tudo bem, tudo bem, não tá mais aqui quem falou. — Ela riu, erguendo as mãos.

***

A verdade é que Argentina não tinha a menor ideia do porque ele disse sim, ou porque o Brasil sequer perguntou. Mas ali estava ele, dois dias depois, desembarcando no país do futebol. Ele devia se sentir em casa, já que o futebol era como uma casa pra ele? Não parecia certo. A mera presença do Brasil sempre fez ele ficar nervoso de um jeito estranho, mas estar no país dele, cercado assim por coisas que parecem tanto ele, esse era um sentimento surreal. E horrível. Tremendamente horrível.

Mas enquanto Brasil andava, alguns passos à frente dele, como se fosse dono de todo pedaço de terra que eles podiam ver, Argentina decidiu que era melhor não se preocupar com detalhes. É claro que ele tinha motivos para estar ali, ele superou o Brasil no futebol, isso era bom, mas no vôlei ainda era outra história, o país verde e amarelo ainda era muito superior a ele. E isso era irritante.

Argentina não queria que Brasil fosse melhor que ele em absolutamente nada. Nada. E ele faria de tudo pra provar que era superior. Ele gostaria de ser mais relaxado, como o outro, mas a competitividade dele era tão intensa que às vezes ele nem conseguia conter seus impulsos.

Ele era naturalmente reativo. Essa era a verdade, por isso mesmo ele apressou alguns passos, finalmente alcançando o outro, e falou, com um sorriso cínico irritante no rosto:

— Ei, hermano — com o maior nível de sarcasmo já empregado em uma palavra. Brasil olhou pra ele, com aquela expressão de desgosto com que Argentina não conseguia se acostumar de jeito nenhum. Brasil apenas ergueu o queixo levemente, inquirindo o que o outro pretendia dizer. — Você não tem medo de eu te superar em mais um esporte não?

— Quem disse que você me superou no futebol? Ainda te faltam duas taças, hermano. E não. Isso jamais vai acontecer, idiota, eu sou muito bom no vôlei.

— E quem te garante, boludo?

— Eu me garanto em qualquer coisa — Brasil disse, revirando os olhos. Argentina sentiu seus olhos arregalarem. Droga, maldita mente pervertida. — Você deu sorte dessa vez, mas na próxima, eu te arregaço.

Brasil não fazia ideia dos pensamentos do Argentina. Claro que não, não tinha como ele saber, ainda assim, Argentina virou pro outro lado, ciente de que seu rosto provavelmente estava meio vermelho. Que pensamentos ridículos eram aqueles? Era tudo culpa daquele boludo maldito, por que ele tinha que ficar usando essas palavras com duplo sentido?

— Tá, tanto faz. Mas eu ainda não entendi por que você me chamou. Achei que odiasse meu traseiro — ele falou, após alguns segundos, finalmente se controlando e mandando um de seus sorrisos malandros, sua marca registrada, pro Brasil.

— E odeio. O que não significa que não seja interessante. — Argentina parou de andar instantaneamente. Ele acabou de chamar o traseiro dele de interessante?! Isso era demais. — Quê? — Brasil parou também, e por um segundo franziu o cenho, tentando entender o que ele tinha dito de errado, Argentina viu o momento que ele compreendeu, seus olhos se arregalando. —VOCÊ, você é interessante, não o seu traseiro! Para de entender tudo errado, loiro maldito.

— Você que nem sabe falar, boludo de mierda. E fala baixo, tá todo mundo ouvindo! — reclamou.

— Ugh, você é interessante, mas é um saco também, já me arrependi de ter te trazido — Brasil praguejou, enfiando a mão no bolso e se encolhendo enquanto se virava e voltava a andar.

— O que você quer dizer com interessante? — além de impulsivo, Argentina era muito curioso.

— É bom ter um rival. — Argentina não podia discordar, era tudo muito sem graça sem a rivalidade deles, até mesmo a final não foi a mesma coisa do que se tivesse sido contra ele. — Tá, beleza, agora chega de papo, que eu não suporto a sua voz, vamos pra casa.

— Pra casa? — Argentina perguntou, confuso com o tom relaxado.

— É, minha casa. Nós temos que ir para algum lugar, né?

E foi aí que Argentina se deu conta de que ele estava esquecendo um fator muito importante desde que aceitou o convite, como se alguma coisa estivesse anuviando seus pensamentos. Onde ele ia ficar. Ele não tinha cogitado isso até então, era como se de fato seu QI caísse pela metade quando o Brasil estava por perto.

— Eu vou ficar na sua casa? — perguntou, com uma voz estridente.

— Maluco, onde você pensou que eu ia te desovar? Eu te odeio, mas eu sou conhecido por ser boa praça e bom anfitrião, se esqueceu? Eu vou fazer o que se espera de mim e ser legal com você. — Brasil falou, revirando os olhos e puxando a manga do outro para forçá-lo a voltar a andar. — E você pode começar dando o seu melhor para não fazer eu me arrepender disso. Embora eu saiba que isso é impossível pra você, boludo.

E com isso, repetindo o apelido que Argentina sempre usa pra ele de um jeito meio estranhamente afetuoso, Brasil estendeu a mão, e apertou a bochecha do Argentina, fazendo ele instantaneamente reagir com um tapa, afastando os dedos do outro, que apenas riu em resposta. Ele sentia a região formigando, e não era porque o aperto tinha sido forte.

Que coisa estranha… desde quando Brasil toca nele tão naturalmente assim?

***

A casa em questão era um apartamento perto da praia. Assim que eles desceram do táxi e começaram a andar pelo calçadão, Brasil fez logo questão de abrir a blusa, e descer um óculos escuro sobre os olhos, abrindo um sorriso maior que a cara.

Ele ficava diferente ali, Argentina pensou, notando com espanto que toda a aura dele tinha mudado drasticamente, ele sempre agia relaxado, mas ali era como se ele já estivesse em casa. Era como se aquele fosse o único lugar em que ele respirasse de verdade.

— O que é? Você tá me encarando.

— Nada, você só… esquece. Tá muito longe ainda? — reclamou. — Aliás, por que a gente não foi de táxi até a sua casa logo?

— Eu gosto daqui, queria dar uma caminhada antes de subir — falou calmamente.

— Será que não dava pra ter me perguntado se eu concordava com isso, não? Está quente demais, que horror.

— Eu te avisei pra não vir engomadinho que aqui fazia um calor do satanás, palhaço. Olha só, é muito simples, é só abrir a blusa. — Apontou para o próprio peito desnudo, e Argentina teve que fazer um esforço físico para não olhar, nem avançar em cima dele e fechar a blusa à força.

— Isso não vai resolver, aqui parece o próprio inferno — Argentina bateu os pés e cruzou os braços, fazendo um bico involuntário, do qual ele se arrependeu instantaneamente, e decidiu culpar o calor pela reação. É, era culpa do calor, estava fritando os neurônios dele.

— Ta, tanto faz, é aquele prédio ali, vê se para de reclamar, fresco — Brasil apontou, revirando os olhos. Era realmente perto, então até Argentina se empolgou e andou mais rápido, se irritando com o Brasil que vinha atrás, quase se arrastando com aquele gingado mole dele.

Antes de entrar no prédio, Brasil ficou alguns segundos encarando o mar, com um sorriso sutil no rosto. Até Argentina dar uma bicuda na canela dele.

— Por que você tá agindo como se nunca tivesse visto água na vida? —indagou exasperado.

—Irmão, tu tem que parar de ser chato assim, mó corta barato. Vamos subir logo antes que eu seja preso na porta de casa — Brasil falou, a expressão relaxada dele mudando drasticamente ao olhar para o Argentina.

Só havia um quarto, como era de se esperar de um cara que mora sozinho, mas, nada do clichê de uma cama só, o sofá da sala era um sofá-cama que Brasil gentilmente decretou que seria a acomodação da visita enquanto ele estivesse ali.

Por mais que Argentina odiasse a falta de privacidade, considerando que as únicas portas do ambiente eram as do quarto e do banheiro, que também era ligado ao quarto, e o resto era tudo aberto e visível. Ele não podia negar que era até que confortável, e a vista era bonita demais, o que compensava e muito.

Em nenhum momento nenhum dos dois mencionou quanto tempo esse "intercâmbio" ia durar. Nem se o Brasil tinha o menor interesse em ir conhecer o país do Argentina. Como sempre, entre eles, as coisas estavam bem mal faladas. Mas ja era comum, então nenhum dos dois estava necessariamente incomodado. Argentina sabia muito bem que caso o Brasil não o quisesse mais ali, ele seria chutado sem cerimônia, logo, não havia porque se preocupar se estava incomodando ou não.

Não havia muito o que fazer, embora ainda fosse meio da tarde, cansados da viagem eles não iam mesmo jogar volêi logo de cara. Ambos se preocupavam demais com a própria performance na frente um do outro para arriscar. Portanto eles só se sentaram na nova cama do Argentina, e por alguns segundos ficaram em silêncio.

— Bora ver um filme. — Brasil sugeriu, pegando o controle. — Tu assiste o que?

— Qualquer coisa. Menos ação e suspense.

— Tá de sacanagem? —Brasil questionou, como se o Argentina tivesse acabado de anunciar que na Argentina eles tem um ritual de chutar filhotes de cachorro em praça pública.

— Como assim?

— Eu só vejo ação — Brasil explicou, franzindo o cenho.

— Cala a boca. Quem só assiste a um gênero?

— Eu.

— Isso é ridículo. Não pode ser verdade. — Agora era Argentina que parecia ter acabado de ver o Brasil cometendo um crime.

— Mas é.

Para a grande surpresa do Brasil, Argentina se virou bruscamente e tentou roubar o controle dele.

— A gente não vai ver velozes e furiosos, transformers, ou sei lá que tipo de atrocidade você assiste. — Parecia que o corpo consideravelmente magro do Argentina estava possuído por um espírito inabalável. Mas para a grande surpresa do Argentina, o Brasil tinha reflexos sobre humanos, e moveu o controle para fora do alcance dele.

— Ah, mas a gente vai sim. Você tá na minha casa, hermano. Minha casa, minhas regras.

— O que aconteceu com o bom anfitrião boa praça? — Argentina guinchou, sua expressão se contorcendo.

— Foi assassinado pelo seu mau gosto pra filmes.

— MEU mal gosto? Só pode ser brincadeira… — Argentina fez a expressão mais desgostosa que Brasil já tinha visto em toda sua vida, o que fez ele gargalhar em alto e bom som.

— Bom, você citou… velozes e furiosos. Bom, bom, várias sequências… a gente vai ficar aqui um bom tempo, hermano.

— Não, tudo menos esse. Por dios.

— Pedido negado — Brasil rebateu com um sorriso falso, a ponta da língua aparecendo entre os dentes.

E eles viram velozes e furiosos. A cada minuto Argentina parecia se fundir mais ao sofá. Uma expressão de perpétuo desprazer estampada em seu rosto.

— Isso é bizarro — Brasil falou do nada, lá pela metade do filme.

— O quê? A quantidade de explosões e balas perdidas que não acertam nem matam ninguém? — Argentina falou, tirando os olhos da tv para olhar para o Brasil.

— Não, doente, eu tô falando da gente. Isso é muito esquisito, nunca pensei que fosse ficar sentado no meu sofá contigo assistindo filme. Esquisitão isso.

— É, esquisito mesmo. Eu preferia estar fazendo qualquer outra coisa no mundo. Mas cá estamos nós.

— Por que raios veio então se preferia tantos outros lugares? Não reclama de estar no paraíso não, doido. — era a cara do Brasil considerar seu próprio país o paraíso na terra.

— Foi você que reclamou primeiro! — Argentina protestou.

— Não, eu disse que era bizarro, não que era ruim.

Por algum motivo isso silenciou a boquinha esperta do Argentina pelo resto da noite, ele não sabia o significado daquelas palavras, mas tinha certeza que era alguma coisa muito mais profunda que o garoto praiano estava mostrando com sua pose relaxada.

Era de madrugada quando Argentina, tentando dormir há horas, arregalou os olhos de repente, se sentando instantaneamente no estranhamente confortável sofá-cama.

Não era ruim? Então era o contrário de ruim?

Brasil achava bom ele estar ali? Ah, droga, isso sim era bizarro.

Notes:

Antes de eu partir, esse ship foi implantado na minha vida pela Nikkiyan_arts (no ig), e caso você tenha caído de paraquedas aqui, recomendo fortemente que você veja as comics e artes perfeitas dela. Eu também posto desenhos no meu ig (vou fazer alguns dessa fic inclusive), akire.arts

É isso aí, não sei quando sai o próximo capítulo, sintam-se livres pra me dar ideias ou me ameaçar pra eu postar logo no ig (onde eu mais interajo). Bye bye 😎