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O Martelo de Marina

Summary:

Crowley é enviado para realizar uma tentação em uma criança com a qual nem mesmo os demônios do mais alto escalão querem lidar. Mas ele está mordendo mais do que pode mastigar?

Notes:

“Olá, pessoal. Já faz muito tempo, mas decidi escrever para esse fandom novamente.

Já escrevi sobre Margarida/Marina antes em minha fic agora abandonada, mas enquanto estudava folclore me deparei com essa história em particular sobre ela e pensei que poderia dar uma ótima fic.

 

Nota lateral: no mundo ocidental, conhecemos Marina como Santa Margarida de Antioquia. Porém no Oriente, onde morava, ela se chamava Marina, e no tempo em que estava viva teria se chamado Marina. Então, para precisão histórica, vou me referir a ela como Marina.”

Work Text:

A missão, pensou Crowley, parecia bastante fácil. Havia uma jovem a caminho da santidade na cidade de Antioquia, uma grande cidade da província da Fenícia. No entanto, ele se perguntou por que a mão de Belzebu tremeu quando lhe entregou o arquivo.

– Apenas seja cuidadoso. – O senhor das moscas disse, estranhamente.

– Cuidadoso? Lorde Belzebu, está amolecendo? – Crowley brincou um pouco, ganhando um forte tapa do demônio de nível superior.

– Não, seu idiota! Estou lhe dizendo para ter cuidado porque ontem à noite aquela criança desincorporou Leviatã! – Elu gritou, apontando o dedo para uma cadeira no canto de seu escritório, onde Crowley agora via o príncipe da inveja em questão sentada com os joelhos no peito e uma expressão distante no rosto.

– Ssscerto. – Ele sibilou e se voltou para Belzebu. – Quantos anos tem essa garota mesmo?

– Quinze. Agora volte lá e cause alguns problemas. – Belzebu disse, encerrando a conversa.

– Certo. Ngk. Sim. Vá para Antioquia, tente a garota. Feito. – Ele pediu licença do escritório e se teletransportou para a superfície.

-

Na Antioquia, era manhã. Por volta das oito e meia, para ser exato. Crowley se aproximou da Custodia Pública, onde a garota estava detida. Ele se escondeu atrás de um muro quando viu o governador da cidade ladeado por guardas entrar na prisão e logo os seguiu para dentro, com cuidado para não ser notado.

Crowley os seguiu a uma distância cuidadosa até chegarem a uma cela no final do corredor. Um guarda de aparência frenética murmurou algumas palavras para o governador antes de deixá-lo entrar na cela, seguindo atrás dele com os outros guardas e fechando a porta. Crowley esgueirou-se até a pesada porta de madeira, espiando pela janela gradeada.

Dentro da cela desolada e suja estava uma adolescente. A garota era atarracada e baixa, mal alcançando um metro e meio de altura, com pele cor de mel, nariz aquilino, grandes olhos castanhos e cachos de cabelo ruivo escuro.

Ela usava uma túnica dourada que estava puída na ponta e presa na cintura com um simples cinto de couro.

A túnica estava coberta com o que parecia ser sangue e algum tipo de lodo verde, assim como sua pele e cabelo, e o cheiro enjoativo permeava o ar e fez Crowley engasgar-se um pouco. Observando mais a cena, ele viu a garota segurando uma cruz de madeira com uma ponta afiada e ensanguentada na mão e seus olhos castanhos estavam cheios de medo. Atrás dela, no chão, estava a forma de dragão sem vida de Leviatã. Havia um longo corte indo da parte superior da barriga até o meio da garganta do dragão, e também não era um corte limpo.

Não demorou muito para Crowley entender que Leviatã engoliu a garota, e a criança abriu caminho para fora do estômago do demônio com a cruz que ela carregava. Engenhoso, extremamente inteligente, até, mas Crowley ainda estremeceu tanto com o pensamento de ser engolido assim quanto com o pensamento de ser desincorporado assim.

– Sua feitiçaria e habilidade em magia se tornaram evidentes para mim, Marina.

O governador elogiou, batendo palmas com um grande sorriso e descarrilando a linha de pensamento de Crowley. A garota, Marina, enrijeceu-se e agarrou sua pequena cruz de madeira com mais força. O governador atravessou a sala até ela.

– Você se curou com um pente de ferro e sozinha matou uma serpente. – Ele pegou sua mão livre.

– Pense no que poderíamos fazer juntos, meu amor. Venha e junte-se a mim, pois poderíamos ser o casal mais poderoso de toda Roma. Até os próprios Deuses nos invejariam. Com sua feitiçaria, você pode até se tornar a Imperatriz de Roma e eu, seu devoto Imperador.

Ele beijou a mão dela e Crowley se engasgou novamente. O governador, cujo nome ele não conseguia identificar, tinha idade suficiente para ser o pai de Marina, se não seu avô. Ele tinha cerca de cinquenta anos, cabelos grisalhos e calvos no topo e uma barba de bom tamanho.

Ele era mais velho e mais poderoso, e vê-lo fazendo propostas a alguém que ainda era uma criança fez Crowley querer perder toda a missão, matar o próprio velho e fugir com Marina para algum lugar distante onde ela estaria a salvo dos dedos acusadores e mentes obscenas desses porcos.

Para sua surpresa, porém, Marina falou.

– Você está falando sério? – Ela perguntou incrédula, olhando para ele. – Você tenta matar uma das minhas ovelhas, me sequestra de minha casa, me tortura, me aprisiona, e eu quase morro por ser comida por uma maldita serpente, e você ainda está me pedindo para me afastar do meu Deus e me casar com você? – Marina afastou lentamente a mão da dele.

Crowley podia sentir o fogo queimando em sua voz e observou a cena se desenrolar, completamente entretido. Alguns dos guardas arrastaram os pés, parecendo um pouco desconfortáveis.

– Eu poderia te dar tudo o que você sempre quis, meu amor. Tudo isso e muito mais. Venha comigo e adore nossos verdadeiros Deuses.

O Governador sorriu e abriu os braços em boas-vindas.

Foi como a erupção repentina do Vesúvio. Marina cuspiu na cara do Governador, fazendo-o cambalear para trás e fazendo com que os guardas sacassem suas armas e a contivessem com suas espadas em sua garganta.

– Eu adoro o Senhor Jesus Cristo, filho do Deus dos céus e da terra. Faça o que quiser comigo, Olybrius, mas não vou obedecer, covarde. Vou passar cada último dia nesta terra fazendo você desejar nunca ter nascido, seu filho da puta coberto de merda!

Crowley colocou a mão sobre a boca para não rir e estragar seu disfarce, e o rosto de Olybrius ficou vermelho de raiva.

– Traga-a para a câmara da roda!

Ele ordenou, virando-se para sair da cela. Crowley rapidamente saiu do caminho assim que Olybrius abriu a porta e saiu furioso e esbarrou em alguém. Ele cobriu a boca da pessoa com a mão para evitar que fizesse barulho enquanto os guardas seguiam Olybrius e levavam Marina para fora da cela.

Assim que eles se foram, Crowley se virou para ver quem era o intruso, apenas para encontrar um Aziraphale muito descontente ao lado dele com a mão de Crowley ainda cobrindo sua boca.

– Aziraphale! – O rosto de Crowley se iluminou quando ele tirou a mão da boca do Anjo. – Que surpresa te ver aqui, hein anjo?

– Crawl— Crowley! O que diabos você está fazendo aqui?!

– Oh acabou de ser enviado para tentar essa garota. Wow ela tem fogo, hein? Você a ouviu repreender aquele Olybrius? Ela cuspiu na cara dele, Anjo! Não vejo um show como esse há décadas!

– Ah, sim, Marina é uma pessoa bastante espirituosa. – Aziraphale concordou. – Escolhida a dedo pela matriz. Fui enviado para ficar de olho nela e mantê-la no caminho certo.

– Então você está me dizendo que nós dois fomos enviados para Fenícia em meados de agosto, durante uma seca, enquanto está tão quente quanto as entranhas do inferno para ficar de olho na mesma garota? – Crowley levantou uma sobrancelha.

– Está bastante quente, não está? – Aziraphale olhou ao redor deles.

– Sim. O que o seu bando quer com esse garoto, afinal?

– Ela é uh. Bem… – Aziraphale brincou com as mãos e Crowley o encarou.

– Bem o que?

– Ela está destinada a ser martirizada. – Crowley congelou, olhou para a garota, sendo conduzida pelo corredor, de volta a Aziraphale e depois de volta à garota.

– Martirizada? – Ele perguntou incrédulo. Aziraphale assentiu, franzindo os lábios e olhando para o chão.

– Aquela garota, destinada a ser martirizada? Ela acabou de completar quinze anos. Ela é uma criança! Você não pode martirizar uma criança!

– Eu não gosto disso mais do que você, mas a matriz exige isso. Não posso simplesmente desobedecê-los.

Crowley cerrou os dentes, ainda olhando mesmo depois que a garota e os soldados haviam desaparecido de sua linha de visão.

– Todas essas crianças sendo mortas, o que vocês querem de um bando de adolescentes?

– Aparentemente, eles estão começando um novo ramo do céu. Humanos particularmente piedosos e devotados se tornarão seres semi-celestiais depois de morrerem chamados de “Santos”. Com mais humanos virando-se para o lado do céu, isso significa que eles se sentirão mais em casa. É bastante difícil fazer com que os anjos entendam como a emoção e a lógica humanas funcionam, mas outros humanos realizando o mesmo trabalho que os anjos fazem deve ajudá-los e mantê-los a nosso favor. Aziraphale explicou.

– Então a matriz está pedindo para você levar um bando de crianças para a morte apenas para que quando essas crianças cheguem ao céu possam receber poder cósmico? Dar poder cósmico às crianças? Crianças?

– Bem, nem todos eles vão ser crianças. Isto é apenas o começo. Supõe-se que o massacre de crianças inocentes por sua fé horrorize os espectadores e os leve a se voltarem para a luz.

– Quem diabos está no comando disso?

– Miguel e Gabriel, junto com Rafael, mas elu está menos envolvide do que os outros dois.

Crowley cantarolou em concordância.

– Não posso dizer que o pensamento de Gabriel ou Miguel tentando dizer a essa criança para fazer algo que ela não quer não é um cenário que eu pagaria cem Aurei para assistir.

– Seria bastante divertido, não é? – Houve uma pausa entre eles antes de Aziraphale quebrar o silêncio.

– Então, como você vai tentar essa garota?

– Diga a ela para fazer uma farsa. Aceite a oferta de Olybrius e, depois que ele for atraído, eu cuido dele e ajudo Marina a escapar com toda a sua fortuna em algum lugar onde esses porcos em togas não possam mais machucá-la.

Aziraphale parecia quase impressionado, esticando um pouco o lábio inferior e balançando a cabeça.

– Bem... não posso dizer que discordo completamente desse plano. Mas não sei se ela vai querer concordar.

– O que?! Por que não?!

– Você é um demônio, a oposição. Não posso dizer que sei como ela reagirá a um demônio aparecendo na frente dela e oferecendo-lhe uma saída.

– Oh, meu lado já tentou. Eles enviaram Leviatã.

– Leviatã? Como o...

– Príncipe da Inveja. Não aquele cara grande no fundo do oceano. Ela ajudou a fazer o do oceano, no entanto.

– Se eles já enviaram Leviatã, por que enviaram você? Certamente ela deve ter feito o trabalho.

– Olhe na cela. – Crowley acenou com a cabeça em direção à cela. Aziraphale deu a ele um olhar hesitante antes de passar por Crowley e ir até a porta da cela para espiar. Seus olhos se arregalaram quando ele colocou os olhos no dragão morto e sua mão cobriu a boca.

– Oh bom Deus, isso... Ela fez isso?

– Evidentemente. – Aziraphale voltou-se para Crowley com os olhos arregalados.

– Crowley, você deve abandonar esta missão. Veja o que ela fez com um príncipe do inferno! O que ela vai fazer com você?!

– Leviatã não sabe como interagir com humanos, na verdade. Ela sempre foi agressiva e brutal, muito rápida para recorrer à violência. Parece mais monstruosa também. Estou me misturando há milênios, acho que posso chegar até ela.

Aziraphale suspirou.

– Ela é apenas uma criança, Aziraphale. Não quero brigar com você, mas pelo menos deixe-me tentar. Eu nem quero tentá-la a se juntar ao inferno, só não quero vê-la morrer brutalmente.

Naquele momento, o grito alto e cheio de dor de uma jovem soou pelo ar, fazendo com que tanto o anjo quanto o demônio olhassem na direção, a direção que Marina havia tomado.

– Por favor, anjo. Ela é apenas uma criança.

Aziraphale suspirou em derrota.

– Terei que entrar esta noite e curá-la. Depois que eu sair, você pode usar tentá-la. Mas se ela descobrir e se virar contra você, eu estarei na porta e puxarei você para fora. – Ele concordou.

– Feito. – Crowley deu a ele um sorriso torto, que rapidamente desapareceu quando outro grito doloroso ecoou no ar.

-

Foi difícil olhar para Marina antes de Aziraphale começar a trabalhar. Os capangas de Olybrius quebraram facilmente metade dos ossos de seu corpinho e depois a jogaram de volta naquela pequena cela suja para morrer lenta e dolorosamente.

Crowley observou pela janela com pena enquanto Aziraphale começava a trabalhar sua magia em Marina.

– Oh, pobrezinha. – Ele cuidava dela como uma mãe protetora. – Que pessoas horríveis, oh querida.

– Dói, Mestre Aziraphale. – Marina choramingou quando Aziraphale colocou as mãos em suas costas para curar primeiro suas vértebras quebradas.

– Não há necessidade de formalidades, pequena. Está tudo bem. Apenas deixe-me fazer o meu trabalho. – Ele disse gentilmente. O sangramento cessou e os ossos se uniram novamente sob as mãos gentis de Aziraphale. Depois que todo o trabalho duro foi feito, ele ajudou Marina a se sentar na terra. Ele rasgou uma tira de tecido da ponta de sua túnica e derramou um pouco de água do frasco de couro em seu quadril antes de usar o tecido molhado para limpar com ternura o sangue e a sujeira do rosto de Marina.

– Prontinho, querida. Tudo consertado. Eu gostaria de poder limpá-la mais, tirar todo esse lodo e sangue de você, mas não tenho permissão para interferir tanto.

– O que você fez por mim é mais do que suficiente, senhor. Obrigado e que Deus o abençoe. – Marina sorriu e pegou a mão dele, beijando-a em agradecimento. Aziraphale sorriu e deu a ela o frasco para que ela pudesse beber, que ela aceitou com gratdão.

– Sei que as coisas parecem sombrias, pequenina, mas prometo que não vou deixar você. – Aziraphale tirou um pão achatado do bolso e entregou a ela – Fui ordenado a fazer tudo ao meu alcance para garantir sua felicidade pelo resto de sua vida. Enquanto eu estiver aqui, você pode me chamar sempre que precisar de mim.

– Obrigado, você é realmente o mais gentil entre os anjos.

— Uma declaração um tanto redundante, querida.

– É verdade. Se todos os anjos são tão gentis quanto você, deve haver esperança para o mundo. Apenas admita, você é bom no seu trabalho.

– Não gostaria que isso subisse à minha cabeça, querida. Por que você não dorme um pouco? Certamente, quando Olybrius voltar amanhã, ele não terá piedade de você.

– Vou tentar descansar. Obrigado, novamente. – Marina sorriu para o anjo. Aziraphale se levantou e se teletransportou, do lado de fora da cela e ao lado de Crowley.

– Pelo menos deixe-a terminar de comer antes de entrar e aterrorizar a pobrezinha. – Ele instruiu.

– Estava planejando isso de qualquer maneira, não acho que as Prisões Romanas sejam exatamente conhecidas por sua comida. A garota deve estar morrendo de fome. Crowley observou atentamente, esperando por uma deixa.

Marina logo terminou o pão e a água que Aziraphale lhe deu, mas não deu sinais de conseguir dormir. Era a hora de Crowley brilhar.

-

Marina estava sentada no meio da cela da prisão, o frasco vazio na terra ao lado dela. Ela esfregou os braços para tentar se aquecer do frio da noite.

– Precisa de fogo? – Crowley perguntou, fazendo com que Marina se virasse para encará-lo. A garota olhou para ele com olhos castanhos ferozes e assustados, certificando-se de que ele soubesse que ela não tinha medo de atacar se fosse necessário. Crowley levantou as mãos – Não se preocupe. Sou apenas um colega do seu amigo. Ele me enviou para checar você.

– Aziraphale enviou você? – Marina relaxou um pouco, mas não muito. – Por que ele não viria pessoalmente?

– Oh, você sabe como é conosco, anjos, temos tantas pessoas em todo o mundo que precisam de nossa ajuda. Não podemos ficar no mesmo lugar o tempo todo.

Houve uma pausa entre eles.

– Qual é o seu nome? – Marina perguntou cautelosamente.

— Acho que você não precisa se preocupar com isso, Marina.

Marina levantou-se enquanto Crowley falava, plantando os pés firmemente no chão.

– Independentemente do que você possa pensar, estou aqui para ajudá-lo.

– Me ajudar?

– O que Aziraphale disse a você? Sobre sua situação?

– Ele… Ele me disse que devo permanecer aqui e permanecer firme. Devo mostrar ao maior número possível de pessoas a infalibilidade da minha fé e que, enquanto eu acreditar, nenhum mal real pode me acontecer.

Crowley sibilou um pouco. Discurso clássico do céu que foi usado por numerosos anjos para atrair mártires. Aziraphale havia dito a ele cerca de oitenta anos antes, durante uma festa em Atenas, o quanto ele odiava as missões de martírio por serem manipuladoras em relação ao cargo e o quanto ele nunca queria ter que enfrentar uma.

– Você está disposto a correr esse risco? – Ele perguntou à garota.

– O que você quer dizer? – Marina inclinou a cabeça.

– E se eu dissesse que há uma saída? Uma maneira de escapar desse inferno.

– Uma saída? – Marina recuou para um canto, agachando-se um pouco na terra e arrastando os pés.

– Tudo o que você precisa fazer é aceitar a oferta de Olybrius e...”

– O QUÊ?! – Marina gritou.

– Ei, ei, deixe-me terminar, criança! – Crowley ergueu as mãos.

– Você quer renunciar ao céu e ao nosso Senhor e se casar com aquele - aquele homem desonesto!? – Marina levantou-se, com a mão direita agarrada a uma parte de sua túnica enquanto caminhava em direção a ele.

– Não, não, não, você não precisa renunciar ao céu ou a Jesus ou qualquer outra coisa! Você só precisa fazer Olybrius ACREDITAR que você...

– Já ouvi o suficiente de você, demônio. – Ela rosnou, fogo em seus olhos, e o coração de Crowley caiu.

Antes que Crowley pudesse perceber o que estava acontecendo, ele sentiu uma onda aguda de dor quando algo pesado o atingiu na lateral da cabeça e ele caiu no chão, seus óculos batendo em seu rosto.

– Eu deveria saber que você voltaria para mais, seu dragão vil. – Marina tremia onde estava, segurando um martelo na mão direita. Crowley imediatamente entendeu suas ações apenas alguns momentos antes, onde ela se arrastou no chão no canto; pegar o martelo na terra e escondê-lo nas dobras de sua túnica para proteção.

– Marina, eu sei o que parece, mas eu não sou... o mesmo demônio... – Crowley falou arrastado.

– Por que você está aqui?!

– Eu só estou tentando ajudar... por favor, me escute... – Crowley tentou se sentar e Marina o golpeou novamente, desta vez nas costelas. Quando Crowley estremeceu, Marina agarrou-o pelos cabelos com a mão esquerda e montou nele e começou a bater nele continuamente com o martelo.

– Quem é você?! Porque você está aqui!? – Ela exigiu, batendo na clavícula de Crowley.

– Ai! Eu só... Ai! Pare de me bater!

– É melhor você ter uma explicação muito boa ou vou quebrar sua cara demoníaca e mandá-lo de volta para o poço de onde você veio!

– E-eu só estou tentando ajudar, sério! Juro! Fui enviado para tentá-la, mas não quero mais fazer isso, só não quero ver esses cães estúpidos matarem uma criança!

– Mentiroso! Você está aqui para me usar para seus planos malignos exatamente como eles são!

– Não! Escute... Ai!... Marina! Se você não fizer Olybrius pensar nem que seja por um momento que... Ai!... que você quer ficar com ele, ele vai te matar... Ai! Pare de me bater e me escute, Marina! Olybrius não é um homem para se brincar... OW! Ele terá você, ou ele vai te matar. Ele apagará todos os vestígios de você e tudo o que você amou da terra se você não o quiser... OW PORRA!

Marina ergueu o martelo sobre a cabeça, com lágrimas escorrendo pelo rosto e raiva e medo em seus olhos.

– Eu preferiria morrer a cumprir sua palavra, seu filho da puta de coração negro! Agora vou mandar você de volta de onde você veio!

Marina foi derrubar o martelo na cabeça de Crowley em um golpe de desincorporador e Crowley fechou os olhos com força, mas o martelo foi parado de repente por uma mão pálida que se estendeu e o pegou no ar. Crowley abriu um dos olhos para olhar para cima.

– B-bom trabalho, minha querida. – Aziraphale disse alegremente, tentando não deixar transparecer sua ansiedade. – Você pegou o demônio que estou perseguindo pela cidade há dias! Que garota esperta você é, muito obrigado por pegá-lo. Esta... esta serpente astuta continuou escapando do meu alcance, mas você a pegou! Bom trabalho Marina. Tenho certeza de que o céu ficará feliz em saber disso. A-Agora, por que não o tiro de suas mãos para você, querida? Eu sou um anjo e ele é um demônio, é certo para mim acabar com ele adequadamente.

Aziraphale pegou o martelo dela e o colocou no chão antes de pegar Crowley e jogá-lo como um saco de batatas por cima do ombro, fazendo o corpo de Crowley gritar de dor.

– Obrigado novamente, querida. – Aziraphale acariciou afetuosamente a cabeça de Marina.

– E agora, vou cuidar de você, sua serpente astuta. – Ele disse com desprezo fingido antes de se teletransportar para longe da cela da prisão com Crowley ainda pendurado em seu ombro.

-

– Ai! – Crowley estremeceu quando Aziraphale curou sua cavidade ocular quebrada.

– Desculpe. – O anjo se desculpou, deixando que seus poderes irradiassem calor sobre as feridas do demônio e as curassem. Houve um momento de silêncio entre eles.

– Eu disse que isso era uma má ideia, Crowley. Aquela garota quase desincorporou você!

– Não poderia simplesmente não fazer nada, sabe. Agora, pelo menos, posso deixar a sede saber que tentei, mas eles provavelmente deveriam abandonar a missão.

– Por que eu sinto que isso não é mais sobre tentação, para você? – Aziraphale tirou a mão da cabeça de Crowley. – A maioria dos outros demônios não pareceria tão preocupada com ela ser uma criança e ser coagida a se casar com um homem com mais do que o dobro de sua idade por meio de violência.

Crowley gaguejou.

– Não é como se eu me importasse! Eu não me importo com crianças, eu sou um demônio! Eu só acho que é um cenário fodido para o seu bando colocar uma criança. Explorar uma criança para atrair outros para o seu lado, isso é algo que minha turma faria.

Aziraphale sorriu um pouco e começou a curar a bochecha quebrada de Crowley.

– Independentemente de você acreditar ou não, Crowley, você realmente é uma bo...

– Se você disser “boa pessoa”, eu vou me curar e depois levá-lo de volta para a cela da prisão e dizer a Marina que VOCÊ é o demônio em vez de mim. – Crowley ameaçou. Aziraphale fechou a boca e continuou a curar em silêncio.

– Você tem que admitir; ela tem um gancho de direita maldoso, não tem?

– Oh sim. Tenho certeza de que Miguel ficará satisfeita quando ela examinar seu arquivo ao chegar.

– Você não acha que alguém vai descobrir sobre isso, não é? – Crowley pensou, o súbito pensamento daquela noite sendo imortalizada em histórias humanas para sempre sendo esmagadoramente humilhante.

– Pode-se certamente esperar que não. – Aziraphale disse, sabendo que na verdadeira maneira humana, provavelmente seria.