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Побег из дома

Summary:

[Fugindo de casa]
Nikita revirava seu quarto com as mãos trêmulas, o dia do qual ele mais temia estava cada vez mais perto, pois, com o avanço das investigações, a liberdade dele e de Artyom estava com os dias contados.
Eles então planejam fugir juntos, os sentimentos à flor da pele.

Notes:

If you dont know portuguese feel free to translate it and ask me any questions that you may have

Also I do have more works coming out soon but Im kinda uninspired...
So pls give me some ideas or requests!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Nikita Lytkin revirava seu quarto com as mãos trêmulas, o dia do qual ele mais temia estava cada vez mais perto, com o avanço das investigações da polícia, a liberdade dele e de Artyom Anoufriev, seu parceiro no crime, estava com os dias contados, para piorar, sua mãe havia encontrado uma de suas facas, e toda a sua família estava desconfiada dele. Pegou todos os documentos, dinheiro, roupas e armas, botou tudo em uma pequena mala e saiu escondido de casa, precisava falar com Artyom.

Ele não era exatamente bem vindo na casa do amigo, mas conseguiu entrar apesar das desculpas que Nina Anoufrieva, mãe de Artyom, lhe deu para não vê-lo, praticamente invadindo a moradia. Ele estava certo que seu único amigo ficaria com ódio, e culparia ele por essa situação, mas ele não tinha escolha.

Anoufriev estava afinando sua guitarra quando o parceiro entrou, levando um susto com a ação repentina:

— Artyom, a gente se…! — Ele ia continuar a falar mas foi interrompido.

— Você não pode entrar assim na casa dos outros!!! — Nina gritava.

— Porra, mãe! — Artyom afastou ela para a porta. — Cala a boca!

Nina tentou discutir, mas seu filho a acalmou e conseguiu dar privacidade para os dois, fechando a porta atrás de si:

— O que você quer?! — Anoufriev instigou, irritado.

— Minha família tá desconfiada. — Olhou para o chão, com medo da reação do outro.

— Que?!?! — O loiro se aproximou dele com passos largos e os punhos cerrados.

— Minha mãe achou minha faca e o meu tio e minha vó acham que eu me encaixo na descrição da polícia… — Lytkin disse, dando dois passos para trás, quase encostando na cama do outro. Percebeu o suor escorrendo pela testa, uma vez que parou de correr. — Acho que eles querem me denunciar…

— Você tá brincando né?! — Disse entre risos de nervoso. Levantou a mão para bate-lo, mas parou movimento no meio do caminho, afastando a franja do rosto. — E agora, hein!?! Me fala!!

Nikita queria se defender, mas não conseguiu, não querendo irrita-lo ainda mais. Anoufriev respirou fundo, andando de um lado para o outro falando palavrões. Logo começou a fazer suas próprias malas, ignorando o mais novo, que ficou quieto sentado na cama. Quando estava pronto, puxou Lytkin para a cozinha, ambos jantaram e se prepararam para sair, Artyom disse para sua mãe que eles tinham que resolver certas questões e que não sabia quando iriam voltar, Nina, desesperada, tentou impedir e foi ligar para a mãe de Nikita, o que só fazia quando queria se queixar do comportamento do mesmo. Felizmente para os dois, essa foi a deixa perfeita para que eles fossem embora daquela casa de uma vez por todas.

 

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As gélidas noites de Irkutsk seriam intragáveis para qualquer um que tivesse que vivencia-las, porém, para os dois jovens, o frio trazia um sentimento de conforto nostálgico de tudo que já passaram na cidade.

Escolheram um local de improvável acesso na mata, cavaram um buraco e jogaram lá todas as provas de seus crimes, ateando fogo nelas. Ambos se sentaram junto ao fogo para se aquecer, Artyom acendeu um cigarro na fogueira e fumava em tragadas profundas, afim de se acalmar:

— Desculpa. — Nikita falou da forma mais clara possível, se voltando para o mais velho. Ele estava buscando o momento certo para dize-lo, agora esperando um sermão.

Anoufriev, porém, apenas posicionou o cigarro na boca do amigo, expirando fumaça em seu rosto:

— Temos que ir para São Petesburgo ainda hoje. — Voltou-se novamente para o fogo, cruzando os braços ao redor das pernas também cruzadas.

O objetivo dos dois sempre foi se mudar juntos para São Petesburgo, mas agora que essa realidade estava tão próxima e de forma tão repentina, Lytkin não podia evitar seu nervosismo, fumando o cigarro e deixando a fumaça de seus pulmões se diluir em meio a da fogueira.

De repente, Artyom empurrou o moreno na terra fria, subindo por cima dele e posicionando uma faca contra o seu pescoço:

— Escuta, Nikita, eu poderia te matar agora mesmo e te culpar por tudo que aconteceu… mas eu não vou fazer isso. — Disse pressionando a faca com força no pálido pescoço do amigo. — Então eu quero que você não cometa mais nenhum erro de agora em diante, porque tudo isso é culpa sua.

Lytkin permaneceu calmo, segurou o pulso do outro e forçou a lâmina mais ainda contra sua pele, deixando seu sangue quente escorrer na neve fria:

— Então me mata, você é a única coisa que eu tenho, então se precisar, me mata. — lágrimas salgadas brotavam de seus olhos. — Eu só quero que você fique comigo.

Anoufriev, se levantou parcialmente, ainda prendendo o outro usando as pernas, guardou a faca em um movimento rápido o que fez Nikita suspirar aliviado:

— Eu não vou permitir que você morra, porque eu preciso que você continue vivo, mas eu não vou ficar contigo caso você falhe. — Ele ficou de pé, cobrindo a fogueira com terra para não deixar nenhum vestígio. O cheiro de orvalho sendo levemente perceptível em meio ao de queimado.

 

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De trem, eles levariam aproximadamente 4 dias para chegar em São Petesburgo, e logo seus familiares estariam ligando para a polícia para entregá-los ou trazê-los de volta para casa, então eles teriam de agir rápido. Se dirigiram até a estação onde pegariam um trem bala e teriam de fazer algumas baldeações, por sorte ainda não estava tão tarde da noite, então eles conseguiram pegar um trem com cabines fechadas, para que ninguém pudesse os reconhecer caso suas fotos fossem divulgadas, mesmo que fosse consideravelmente mais caro.

O ambiente era aquecido, então eles tiraram suas jaquetas sujas e salpicadas por neve e se sentaram um na frente do outro, observando a paisagem pitoresca composta pela mata, névoa e pequenas luzes ao longe, contrastando o negro céu da Sibéria:

— Artyom… — Nikita quebrou o silêncio, a voz trêmula. — Me desculpa, cara, desculpa…

Anoufriev se levantou e sentou ao lado de Lytkin, que o abraçou, o cheiro do primeiro acalmava o moreno, que agarrou sua blusa, soluçando e pedindo desculpas. Artyom considerava os sentimentos do mais novo como um fardo, mas julgou ser mais conveniente ceder a ele naquele momento do que brigar, retribuindo o abraço.

Foram poucas as vezes em que eles ficaram tão fisicamente íntimos; tardes frias; sujas mãos entrelaçadas; se consolando em meio a lágrimas e sangue. Nikita precisava de Artyom, mesmo que ele fosse o motivo pelo qual estavam naquela situação e, mesmo que, por vezes, ele o fizesse se sentir mal. Anoufriev, por sua vez, usava Lytkin para conseguir o que quer, mas ao mesmo tempo, se importava com ele, embora não gostasse de admitir isso, por medo do que Nikita significava para si mesmo, medo de que, o simples fato dele pensar no patético garoto que envolvia em seus braços, pudesse se tornar uma fraqueza:

— Você só faz o que eu mandar, tá ouvindo? — Passava os dedos no cabelo do amigo, que apoiava o queixo em seu ombro.

— Sim, eu faço tudo que você quiser, Tyoma, eu não vou falhar com você.

Isso era tudo que o loiro queria ouvir:

— Eu sei.

Era engraçado pensar que esses poderiam ser os últimos momentos deles juntos caso fossem presos e, mesmo assim, estavam jurando lealdade um para o outro.

Nikita se afastou do abraço, fazendo a mão de Artyom deslizar para o lado de seu rosto, de forma que encostasse em seu ouvido, Anoufriev o olhou de cima a baixo, entortando a cabeça em um sorriso de canto debochado.

Talvez fosse para compensar a possível saudades, por um desejo súbito, ou até mesmo uma forma de demonstrar que se importa, Artyom não sabia ao certo, mas o resultado foi um só: se inclinou vagarosamente e beijou Lytkin no canto da boca, o moreno, sem muita reação, demorou alguns segundos para retribuir o beijo desajeitado, inicialmente, com apenas os lábios.

Se distanciaram novamente por um breve momento para verem a reação um do outro, voltando a chupar e acariciar os lábios, como se ainda estivessem se consolando.

Artyom, então, forçou a língua para dentro dele, puxando sua nuca, ambos, com a respiração ofegante, disputavam por dominância em um beijo exacerbadamente obsceno, mãos explorando cada centímetro, devorando um ao outro. Nikita puxava a cintura do loiro para si, com as mãos por baixo da blusa, que atrapalhava, então Anoufriev tomou a iniciativa para que ambos as retirassem, voltando a beija-lo violentamente.

O longo beijo deixou Nikita tonto, abrindo uma brecha para que Artyom fizesse o que tinha que fazer, mordendo o lábio inferior dele e o enforcando levemente com uma das mãos, antes de começar a beijar, morder, lamber e chupar seu pescoço, descia gradualmente a região dos beijos, parando um pouco acima do abdômen. Lytkin, em movimentos desleixados, tentava esfregar o membro do mais velho por cima da calça jeans. Porém o tesão era tanto que nada era perto o suficiente:

— Você vai me chupar agora. — Artyom ordenou, olhando em seus olhos.

A atitude controladora do loiro apenas excitava Lytkin, que, ainda estando com tontura, ajoelhou-se sem muito hesitar. Anoufriev pendeu sua cabeça para trás, com a respiração pesada, suor escorrendo da testa, segurou os castanhos cabelos do outro para que ele fosse mais rápido, mesmo que não soubesse o que estava fazendo.

Quando já estava ereto o suficiente, empurrou e o puxou pelo braço, para que deitasse na poltrona, ambos tiraram as calças e Artyom enfiou os dedos indicador e do meio dentro da boca dele, brincando com sua língua e saliva, novamente limitando sua respiração por alguns segundos, em seguida levantou com força uma das coxas e passou a tentar meter os dedos dentro dele:

— Espera! Por que eu tenho que levar no cu? — Lytkin choramingou, tentando se levantar usando os cotovelos.

— E quem levaria, eu? Hah! — Caçoou, o empurrando de volta, ainda tentando distender seus músculos, conseguindo enfiar a pontinha dos dois dedos.

— Tyoma, tá doendo…!

— Shh, relaxa. — Se inclinou, dando um beijo molhado nele, enfiando os dois dedos simultaneamente.

— Caralho!!! — Nikita se desvencilhou do beijo, jogando a cabeça para cima, gemendo de dor.

Artyom então voltou a distender os músculos lentamente, cuspindo para lubrificar. Quando estava relaxado o suficiente enfiou a glande dentro dele e, vagarosamente, foi adentrando, centímetro por centímetro, Lytkin gemeu de dor ao sentir o quente membro pulsar dentro dele, era um estranho sentimento de formigamento, não sabia dizer se gostava ou não.

Anoufriev apoiou uma das pernas do outro no ombro, começando a mover os quadris para frente e para trás, aumentando gradualmente a velocidade mas ainda em um ritmo lento, ofegava baixinho, acariciando a coxa do parceiro, sentia como se estivesse em uma fonte de águas termais, era definitivamente melhor do que receber um boquete e infinitamente melhor do que qualquer masturbação, nunca tinha experienciado tamanho prazer. Para Lytkin, era mais intenso, brincava consigo mesmo enquanto sentia o pau do mais velho roçando fundo dentro dele, não se importaria nem se suas entranhas rasgassem, desde que continuasse se sentindo cada vez melhor.

Abruptamente, Artyom começou a ir mais rápido, provocando sons molhados e indecentes, alisava o torço e o pescoço do moreno, forçando o polegar em sua boca, afim de silenciar seus altos gemidos que vazavam pelas paredes da pequena cabine. Cada centímetro do corpo de Nikita se arrepiou com o gesto, o salgado gosto do parceiro o fazia salivar, quando estava prestes a enlouquecer, porém, o loiro o retirou, apoiando a mão na poltrona, indo mais rápido ainda. Lytkin revirou os olhos para trás tentando controlar seu inarticulado tom de voz.

Os garotos tinham a mente vazia, consumidos pelo prazer do toque. Anoufriev se deliciava com os suspiros do mais novo, admirando seu liso peito subir e descer, refletindo as luzes das estações por qual passavam. Lytkin o pertencia, ele era o dono da respiração, dos sons obscenos, da umidade que envolvia suas pernas, ele, e somente ele, era dono de Nikita, podendo controla-lo do jeito que bem entendesse. Todo o amor que Nikita tinha por Artyom agora transbordava de seu peito:

— Eu… eu quero você… Eu quero que você me mate… — Lytkin expelia as palavras com dificuldade, a expressão embriagada e o tom macio em meio a respiração desregulada.

Artyom tirou a perna de Nikita de cima do ombro e pressionou ambas as coxas do mesmo para baixo, atingindo-o profundamente. Socava com cada vez mais força enquanto o interior do moreno contraia, apertando-o, ambos sentiam como se algo estivesse vindo de dentro deles:

— Isso… isso… Isso! Isso! Isso…!!!! — Nikita arqueava as costas, forçando seus quadris contra os do outro.

Em uma última estocada, Anoufriev colocou tudo para dentro, gozando com força, preenchendo o outro completamente com esperma, que tremia e gemia de prazer. Retirou devagar o seu membro e deixou o líquido pegajoso e esbranquiçado escorrer entre as pernas dele, gozando mais um pouco em sua barriga.

Artyom deitou sobre Nikita, que abraçou suas costas suadas, ambos ainda ofegantes. Se recuperaram por alguns segundos, levantaram, se vestiram e sentaram na poltrona, voltados um para o outro.

Naquele momento, não havia nada entre eles, nenhuma situação exterior interferiria no fato de que ambos, agora onectados eternamente, haviam sido entregues de corpo e alma um ao outro. Palavras não eram mais necessárias, era como se lessem e compartilhassem os mesmos pensamentos, agora recíprocos.

Anoufriev provou que reconhece o mais novo, que ele é mais do que uma peça em seu sádico quebra cabeça, que é grato por seus sacrifícios e não poderia ter feito tudo isso com mais ninguém.

Lytkin passava os dedos pela franja do loiro, para ver melhor seu rosto, acariciando-o, Artyom então se aproximou, apoiando-se no ombro dele. Estava tarde e eles estavam cansados, então caíram no sono sem dificuldades, enquanto ouviam as embaçadas janelas baterem com o vento, que cantarolava entre as árvores.

 

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Nikita foi acordado por uma sensação de estar caindo, era Artyom, que se desvencilhou dele e estava agachado no chão, mexendo nas malas:

— O que você tá fazendo? — perguntou com a voz rouca e falha.

— Pegando nossas máscaras, que chegamos logo mais. — respondeu, ainda voltado a mochila.

— Porra, que horas são? — disse esfregando os olhos.

— Dez pras oito, vai buscar o café que já devem tá servindo. — lhe entregou uma bandana preta estampada.

Lytkin puxou e vestiu a bandana, mau humorado, calçou os sapatos surrados e saiu da cabine resmungando, com as pernas doloridas da noite anterior. 

Os corredores que levavam ao vagão-restaurante eram claustrofóbicamente similares entre si, o garoto se sentia deslocado diante das paredes brancas, limpas e insípidas, que pareciam encara-lo de forma ameaçadora. Algo estava errado.

Entrou no refeitório discretamente, porém todos no recinto viraram em sua direção, havia apenas um casal de idosos e uma senhora com sua neta, mas foi o suficiente para deixá-lo paranoico. Pegou apenas um prato e um talher, pois julgou ser menos suspeito, e foi enchendo de coisas que ele e Artyom gostavam. Se dirigiu ao caixa onde pesou, pagou e saiu, ainda se sentindo observado.

Voltou a passos rápidos e só se acalmou quando fechou a porta da cabine atrás de si. O loiro estava de pé, olhando pela janela, com o pensamento distante, Nikita apenas suspirou aliviado em vê-lo, puxou uma mesinha de centro e se sentou no chão para comer, enrolou um blini (panqueca típica russa) e enfiou na boca, se sujando no processo. 

Artyom se sentou para acompanhá-lo, comeu um morango em duas mordidas e acendeu um baseado, que bolou enquanto o outro estava fora. Lytkin botou um morango na boca e estendeu outro para o loiro, resmungando:

— Come.

Anoufriev abriu a boca de forma cômica e mordeu a mão dele:

— Filho da puta! — Puxou a mão de volta para si e deu um tapa na cabeça dele.

Anoufriev sorriu maliciosamente de canto de boca, se aproximou, puxou o moreno pelo rosto e lambeu as migalhas em sua bochecha, em seguida movendo para sua boca, pressionando seus lábios juntos enquanto se aproximavam cada vez mais. Artyom, porém, separou o beijo subitamente, para tragar o baseado, deixando Lytkin paralisado, esperando algo acontecer, com borboletas no estômago, porém decepcionado:

— Vou comer você. — O loiro brincou, quase que inexpressivamente, mordendo o pescoço do mais novo, que o empurrou.

— Tá… Você só vai fumar? — Perguntou, um pouco irritado, pela frustração sexual. — Vai ficar com larica depois.

— Vou comer e fumar ao mesmo tempo, viado. — Tragou mais uma vez antes de passar o beque para ele.

— Só um pouquinho porque se não eu fico com vontade de bater uma. — Disse, envergonhado, diminuindo o tom a cada palavra, antes de fumar também, não conseguindo permanecer bravo.

O mais velho riu e se voltou ao prato, comendo uma panqueca:

— Eu bato pra você. — Disse, também em baixo volume.

Nikita corou com a fala, o que era desproporcional, considerando o que eles tinham feito algumas horas antes. Normalmente, Anoufriev iria zombar dele, mas dessa vez foi diferente. Os dois se entre olharam em silêncio, constrangidos, como se só agora tivessem tomado consciência de suas próprias palavras:

— Cara, não vamos contar pra ninguém sobre isso, ok??? — Sussurrou, apreensivamente, como se o outro tivesse escolha.

— Ok. — Respondeu sem hesitar. — Tyoma… você acha que a gente é gay? — Questionou, franzindo o cenho, em uma leve entonação de repulsa.

— Não se ninguém descobrir.

— Ok. — Escondeu um pequeno sorriso, pálpebras baixas. Lytkin, não se importava, pelo contrário, adorava guardar segredos com ele, ter algo que apenas os dois sabem e mais ninguém o fazia se sentir extremamente conectado.

— Então~ O que você quer fazer até a gente chegar?

Nikita o olhou de cima a baixo, focando em suas ásperas mãos e seus finos braços, segmentados por pequenos cortes, sinais de violência que tão bem o encapsulavam:

— Kita? — Chamou a atenção dele, em seu típico comportamento irritável, curto e grosso.

— Nada, eu tô com sono. Me deixa apoiar em você. — Descruzou as pernas e rastejou até ele, apoiando a cabeça em seu colo.

— Eu não disse que deixava. — Posicionou o fumo entre os frios lábios do outro.

— Cara, isso me lembra da última vez que eu viajei de trem com a minha mãe… — Retirou o baseado da boca e observou a chama diminuir. — Lembra? Eu quis voltar no meio do caminho.

— Lembro mais ou menos. — Anoufriev pegou da mão dele e acendeu de novo com um isqueiro, fumando. — O que tem?

— Eu não quis ir porque não queria ficar longe de você…

— Viado fudido. — Riu, levemente sem jeito, apoiando as mãos atrás do corpo e olhando para o outro lado.

— É só que… — Lytkin cobriu o rosto com o antebraço, dando uma breve pausa. — Eu tô feliz que a gente tá fugindo juntos.

Artyom ajambrou os castanhos cabelos dele, ignorando completamente o comentário, que julgou desimportante:

— Abre a boca e fecha os olhos. — Mudou de assunto, tirando o braço dele da frente do rosto.

Nikita não entendeu a exigência, mas obedeceu mesmo assim, o polegar do mais velho forçou contra sua língua, o deixando estranhamente excitado, sentindo seu rosto esquentar e um formigamento percorrer por todo corpo. De repente sentiu um gosto terrivelmente sufocante na boca, o fazendo levantar e cuspir na própria mão de angústia: eram cinzas de tabaco.

Antes mesmo de poder questionar, porém, Anoufriev o agarrou, pressionando-se a ele, em um beijo agressivo e desesperado, Nikita sentiu cada pelo de seu corpo arrepiar, enquanto a macia língua do outro se entrelaçava na dele, suavizando a textura porosa das cinzas e praticamente o devorando, logo, a mão de que apertava seu pescoço foi deslizando até agarrar sua bunda, Lytkin arqueou as costas e levantou a pélvis involuntariamente. Continuaram se beijando apaixonadamente até que ficassem sem fôlego.

Afastaram-se, para apenas se abraçarem, o mais novo o segurando pela nuca, dando serenos beijinhos na extensão do rosto, pescoço e ombro do mais velho, que apertava sua cintura:

— Você é meu, meu cinzeiro, minha putinha. — Sussurrou. — Eu quero você.

Abraçaram-se apertado e permaneceram assim por um bom tempo, descansando os olhos em silêncio. Quando a chegada à estação de Kirov foi anunciada, onde iriam realizar uma baldeação, os garotos se dirigiram calmamente para fora da cabine. Era como se estivessem em outra dimensão, como se não existisse mais ninguém no mundo além deles, um silêncio, um momento de calma antes da tempestade.

O forte vento carregava folhas pelos raios de sol de um céu azul sem nuvens, folhas que, assim como a esperança dos adolescentes, planavam antes de se despedaçarem sobre a neve enlameada, pisoteada por coturnos de policiais armados até os dentes, apenas esperando para encontra-los.

Notes:

I actually don't like this very much, I've written it before vomit party and it took me more time to post because I spent too much time rereading it
Im not very good at writing ""deep"", fellings and all that gay stuff so yeah