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Tudo era um pesadelo, se Dean fosse confessar, tudo parece com um grande pesadelo desde que ele tinha quatro anos, ele ainda acordava todas as manhãs esperando que tudo não passasse de um pesadelo e que sua mãe ia estar na cozinha preparando uma mamadeira para o bebe Sammy, ele iria descer e tomar o café da manhã e no fim do dia o pai voltaria para o lar feliz deles.
Mas aquela era a sua vida real, e na sua vida naquele momento, o seu irmão tinha traído ele e condenado o mundo ao libertar Lúcifer da jaula.
Dean se sentia completamente perdido, e olhar em volta não ajudou na situação, ele se lembrava de estar no cemitério, da jaula abrindo, de agarrar o irmão e do clarão de luz, mas não se lembrava de momento algum o porque ele estava em um avião.
Ele foi rápido em chegar o irmão e ter certeza de que apesar de toda a situação ele estava bem e continuava sendo a sua prioridade, porque apesar de tudo, Sammy sempre era a prioridade do Dean.
— Onde estamos? -o moreno perguntou.
— E isso importa? -Dean perguntou irônico, eles estavam vivos, mais nada importava.
— Importa, precisamos voltar. -Sam falou chateado.
— Estamos vivos, onde estamos não importa. Só temos que achar um jeito de voltar.
Eles já tinham brigado muitas vezes, Dean era um especialista em proteger o irmão e perdoar os seus pecados, mas daquela vez era diferente, nada mais era o mesmo, nem mesmo ele se sentia o mesmo.
— Você está bravo.
— O que você acha, gênio? -o loiro perguntou irônico.
— Eu posso pedir desculpas. -o moreno falou baixo.
— Se você não sabe o que fez de errado, não perca desculpas. -Dean falou sério, desculpas vazias não importavam.
— Eu sei que errei.
— Saber que errou, mas não como ou porque errou, não me adiantou. Não quero desculpas vazias. -o loiro falou firme.
— Mas você tem me tratado mal. -Sam comentou triste.
— Eu jamais seria capaz de te tratar mal, mas não espera que eu te perdoe. -Dean respondeu firme.
O silêncio era pesado, não era algo que eles estavam acostumados, O avião tinha pousado mais perto do que eles imaginavam e encontrar o Impala estacionado do lado de fora do aeroporto, só deixou mais claro que eles estavam lidando com algo que não entendiam completamente e precisavam ter cuidado com toda a situação.
Não havia dúvidas nenhuma de que aquele era o seu Baby, mas Deam ainda conferiu tudo com cuidado, antes de entrar e começar a dirigir o mais rápido que podia para casa.
— Você está realmente bravo comigo.
— Claro que sim!
— O que posso fazer pra você me perdoar?
— Nada, dessa vez não vou te perdoar tão fácil.
— Dean.
— Chega dessa conversa, quero pensar sozinho.
O caminho era mais estranho do que eles esperavam, ficar em silêncio era difícil para eles, mas a raiva e tristeza que sentiam, fazia com que falar fosse quase impossível falar, mas deu ao Dean a oportunidade de pensar no que iria fazer a seguir.
Ele já tinha traçado um plano na sua mente, e a sua maior prioridade era cuidar da sua família e ele iria fazer o seu melhor para que todos ficassem bem e pudessem viver mais muitos anos ao seu lado.
— Onde estamos indo? -Sam perguntou não reconhecendo o caminho.
— Vamos ver o Bobby.
— Esse é o seu plano? -o moreno perguntou tentando entender o que o irmão estava fazendo.
— Que plano? Ele é a nossa família e está machucado, não tem plano, nada vai acontecer até termos certeza de que ele está bem. -Dean falou sério.
— Ele deve estar bem, é o Bobby. -o mais novo respondeu confiante.
— Eu prefiro ver por mim mesmo. -o loiro falou finalizando a conversa.
Era óbvio que a situação não era boa, eles podiam ver com o fato de que estavam em um quarto privado e pela quantidade de aparelhos estavam ligados ao Bobby, mas eles precisavam tentar ser positivos com a situação, eles não queriam desistir e abandonar o que tinha sobrado da sua família.
Dean já estava planejando o que seria preciso, ele estava pronto para assumir as responsabilidades e fazer o melhor para que todos ficassem bem, ele tinha planos e os seus planos tinham planos, mas primeiro ele precisava saber toda a verdade.
— Garotos, vocês estão de volta.
— Como você se sente? -Dean perguntou preocupado.
— E como foi? -Bobby perguntou, mesmo que pela cara dos dois, ele soubesse que não tinha ido bem.
— Lúcifer está solto. -Sam falou baixo.
— O que vamos fazer agora? -o mais velho perguntou.
— Como você se sente? O que o médico disse? -Dean perguntou preocupado, tentando focar no que era mais importante naquele momento.
— Isso não importa agora! O apocalipse está pra acontecer. -Bobby respondeu bravo.
— Pra mim isso é tudo que importa agora. O que o médico disse? -Dean perguntou sério.
— Não vou andar, cadeira de rodas pra mim. -o mais velho resmungou.
— O que mais? Tem outras oportunidades e possibilidades? Fisioterapia? Cirurgia? -o loiro perguntou, tentando ver outras opções.
— E isso importa? O mundo está para acabar.
— Importa pra mim. Vou procurar o médico, vamos fazer o que puder pra te ajudar. -Dean respondeu sério.
— Faça o que quiser, garoto. -Bobby falou resmungando.
Dean estava realmente disposto a fazer o que quisesse, ele tinha muitas coisas com as quais se preocupar, ele tinha muitas coisas para fazer e com o que pensar, e ele ia assumir tudo e resolver tudo.
E ele não ia desistir.
O bater de asas nunca foi tão reconfortante, quanto naquele momento, Dean era o primeiro a assumir que ele não tinha começado bem o seu relacionamento com o Castiel, mas o Anjo era sua família também, ele fazia parte da sua matilha e ter ficado na dúvida se ele estava vivo ou não tinha sido cruel.
Era bom saber que eles tinham mais alguém ao lado deles, principalmente alguém tão importante pra ele quanto o seu Anjo.
— Você está bem, Dean? -O Anjo perguntou preocupado.
— Não tenho certeza. -o loiro respondeu.
— O que vai fazer?
— Não tenho certeza.
— Precisa de alguma coisa? -Castiel perguntou tentando pensar em algo que pudesse ajudar.
— Pode me abraçar? -Dean perguntou com a voz baixa.
— Eu posso fazer isso.
Era estranho abraçar o Anjo, mas era tão bom, era como abraçar a sua família, era bom e Dean não ia nunca mais abandonar aquela sensação.
— Obrigada por estar vivo. -o loiro falou abraçando ele mais forte.
— De nada.
— E obrigada por voltar pra mim. -Dean falou emocionado.
— De nada.
Ele não era aquele tipo de pessoa, Dean tinha passado muito tempo usando supressores, mas estava ciente de que eles não faziam bem pra ele e que desde que Lúcifer tinha sido libertado da jaula, aquele clarão tinha queimado o que restava deles e ele estava agora correndo com o que estava acontecendo naquele momento.
Dean teve tempo de pensar no que estava acontecendo e no que queria da sua vida, com tudo que tinha acontecido na sua família, ele sabia que precisava fazer melhor e estava disposto a deixar os seus instintos assumirem e ajudarem ele naquele momento difícil.
— Você cheira diferente. -Castiel falou com cuidado.
— Eu sei. -o loiro resmungou.
— Eu gosto. -O Anjo respondeu sorrindo.
— Obrigada, eu acho. -Dean falou sorrindo fraco.
Tinha sido anos cansativos, não eram dias ou semanas, eram anos e parecia que todos aqueles anos de cansaço estavam fazendo ele pagar o preço naquele momento.
Bobby não tinha muita certeza do que iria fazer a seguir, ele sabia que o seu quadro clínico era ruim e que ele precisaria de muita ajuda, e sabia que Dean já tinha planos para resolver tudo e cuidar de todos, mas naquele momento ele só precisava de um pouco de paz e silêncio, o que o celular do Dean que tocava sem parar não estava dando para eles.
— Não vai atender? -Sam perguntou olhando pro celular.
— Todos que preciso estão aqui. -o loiro respondeu dando de ombros.
— Aliás, vocês poderiam sair daqui. -Bobby falou olhando para os dois que pareciam cansados.
— Por que iríamos? -Dean perguntou olhando estranho pro outro.
— Porque aqui é um hospital, não um hotel, quero vocês fora daqui. -Bobby falou apontando para a porta.
— E eu quero ficar mais um pouco. Vamos ver quem é mais teimoso, velho. -o loiro falou sorrindo, ele não ia embora.
Era bom ouvir aquele som de novo, Dean teve muitos problemas ao longo do tempo com o Castiel, ele era o primeiro assumir que eles não tinham começado bem e que muitas vezes ainda ficavam se encarando de forma estranha, mas Dean também seria o primeiro a assumir que eles gostavam realmente um do outro.
Então o bater de asas do Anjo, era como um sonho de som chegando ao seu ouvido.
— Cas.
— Samuel.
— Cas! -Dean falou feliz.
— Olá Dean. Você está bem? Precisa de alguma coisa? -Castiel perguntou olhando pro loiro com cuidado.
— Só estamos indo pra casa. Quer ir? -o loiro perguntou sorrindo fraco.
— Eu posso ir. -O Anjo respondeu.
— Então vamos, eu tenho alguns planos. -Dean falou tentando parecer animado.
