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(Re) Começo

Summary:

“Pomba queria chorar de novo.

Ele era uma escolha.

E ele foi escolhido.

[…]

Jasper também foi escolhido.”

Notes:

“ai mas o jasper morreu-” FODA-SE o canon já eh triste demais pra eu piorar tudo com fic ainda mais triste, por mais q eu provavelmente vou escrever algo só do pomba triste MAS isso eh detalhe

eu escrevi isso em tipo duas horas enquanto ouvia música triste depois de ver edit dos pombiar no twitter de noite em vez de dormir
AVISO: o pomba tem alguns pensamentos bem ruinzinhos, isso tá na tags, ele tem pensamentos suicidas e o início de uma crise de pânico

enfim, espero que gostem <3

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

 

 

Pomba não deveria estar vivo. Não deveria nem mesmo estar na enfermaria da tal Ordo Realitas  para “se recuperar” como disseram a ele.

 

Ele deveria ter morrido no Hexatombe.

 

Não, ele deveria ter ficado morto.

 

Mas aqui estava ele, vivo novamente, respirando, se movendo, sentindo.

 

E porra, como doía.

 

Respirar dói, sentir dói, sentir que ele deveria estar morto.

 

Não ter nada, ninguém para quem voltar, uma casa, uma família, dói.

 

Por que viver? Ele não tem nada. Sua família  — os pássaros — estão mortos. Kemi — Lena, sua mente corrigiu — tinha Eloy pra construir uma vida própria, Remi, ele não fazia ideia de onde tinha se metido e não é como se fossem muito próximos, e Juan ao que parece tinha virado o Diabo, algo que se ele pensar demais, entraria em pânico.

 

Maria, Tuco e Jasper? Morreram naqueles corpos de assassinos.

 

Deuses Jasper estava morto, seu Jasper. Morto por causa daqueles vampiros imundos que tiraram tudo de Pomba.

 

Ele nunca mais veria o sorriso de Jasper, ouviria sua risada, se sentiria acolhido, ouvido, nunca mais se sentiria em casa na presença dele.

 

— Pomba?

 

Ele já tinha perdido tanto, por que ele tinha que continuar respirando? Continuar sendo fraco, um estorvo.

 

Inútil. Inútil. Inútil. Inútil.

 

Ele era um completo inútil.

 

Harpia estava morto por culpa dele, se ele tivesse o conhecido a conversar com Lena, o convencido que todos eles eram boas pessoas então Harpia estaria vivo no lugar dele.

 

Porra, Harpia estava morto.

 

Morto.

 

Assim como Papagaio, Corvo e Coruja.

 

Jasper.

 

Todos mortos. Sua família estava morta.

 

O único homem que ele sentiu que começava a amar estava morto.

 

— Pomba? — alguém estava o chamando.

 

Deveria ser uma enfermeira, ele não conseguia se importar. Não conseguia respirar. 

 

Por que estava difícil respirar? Por que suas costelas doíam?

 

Não sobrou ninguém? Alguém sobrou? Quem estaria lá pra ele? Ah, ele estava sozinho.

 

Sozinho.

 

Pomba sentiu o corpo tremer, ele ainda não conseguia respirar.

 

Ele ficaria sozinho pra sempre? Era pra isso que estava vivo? Foi trazido de volta pra isso?

 

Mesmo em seu último esforço naquele inferno de lugar, mesmo quando ele tentou ser corajoso, mesmo assim não restou nada.

 

— POMBA! — alguém chamou seu nome mais alto e colocou as mãos no rosto dele.

 

Era quente.

 

Mãos quentes e tão reconfortantes.

 

O lembravam de alguém.

 

Mas… Quem? Sua mente estava nebulosa, os pensamentos só repetindo como ele era inútil.

 

— Ah… — ele suspirou, sua visão estava embaçada.

 

Ele estava chorando? Quando isso começou?

 

— Pomba, olha pra mim — era a voz de novo, era grossa e firme, mas continha uma gentileza que quebrou ainda mais o coração de Pomba.

 

Ele olhou pro homem, sua visão lutando pra conseguir se estabilizar e focar na imagem dele.

 

Ele era um homem muito branco — talvez fosse albino? — com óculos que estavam escorregando do nariz, cabelos num tom claríssimo de loiro e um porte musculoso que ficava evidente graças a blusa justa que usava, ele também tinha tatuagens em ambos os braços.

 

Mas os olhos, caralho, os olhos azuis eram tão gentis.

 

Era quase como se ele já o conhecesse.

 

— Isso, muito bem, respira fundo e me diz cinco coisas que tu’ consegue ver.

 

Pomba obedeceu sem pestanejar, puxou o ar pela boca e soltou lentamente, os olhos se desviaram pra olhar ao redor.

 

Ah, era verdade, ele estava em uma enfermaria.

 

— Camas, parede branca, luz de chão, uma flor na mesinha de canto e… — ele voltou o olhar pro homem — Seus óculos.

 

— Ah, ok… — o homem respirou fundo, ele pareci nervoso — Quatro coisas que você consegue sentir.

 

— Suas mãos, a cama embaixo de mim, a luz no meu rosto, meu cabelo no rosto.

 

As orelhas do homem ficaram levemente avermelhadas.

 

Fofo.

 

— Três coisas que tu’ ouve.

 

Ele respirou fundo, ouvir algo além de sua cabeça era difícil.

 

— O barulho do ventilador, um gato miando lá fora e uma música de rock, eu acho — ele fez uma pequena careta, que lugar caótico.

 

O homem riu baixinho e concordou com a cabeça.

 

— Duas coisas que cê’ consegue cheirar.

 

— O cheiro da flor, são rosas, e seu perfume, ele é fraco mas consigo sentir.

 

Ele conseguia respirar de novo, ainda doía de um jeito estranho, talvez nunca fosse parar de doer já que ele deveria estar morto, mas estava mais fácil e menos pesado do que antes.

 

Era como respirar um ar puro do campo depois de horas respirando um ar poluído de máquinas e fábricas.

 

— Uma coisa que tu consegue sentir o gosto.

 

— Ah… Suco… Suco de laranja, a Lena tinha me trazido um pouco mais cedo, eu pelo menos acho que foi hoje.

 

— Ok, consegue respirar fundo pra mim? — Pomba obedeceu, seguiu o homem e os dois respiram fundo algumas vezes.

 

Pomba sentiu a mente minimamente mais clara.

 

Estava na Ordo Realitas, em uma enfermaria, foi achado por agentes mais experientes nos arredores do Hexatombe, chorando sob o corpo morto de Harpia, o trouxeram porque ele ainda parecia machucado e batia com as descrições que Lena tinha feito dele.

 

A quanto tempo estava ali? Não poderia fazer mais de dois dias. Se lembra de desmaiar no primeiro dia assim que viu Lena, se lembra de chorar.

 

Ele sempre chorava.

 

— Pomba?

 

— Sim?

 

— Ok, você ainda tá aqui — o homem tirou as mãos do rosto de Pomba que quase reclamou da falta de contato.

 

Como poderia reclamar disso? Nem sabia quem ele era.

 

Ou talvez…

 

— Você… Quem é você?

 

— Uau, eu sei que esse corpo é bem diferente, mas pensei que você ia conseguir juntar os pontos — ele brincou suavemente.

 

A mente de Pomba começou a trabalhar.

 

Só tinha uma pessoa — além de Lena, além dos pássaros — que o tratava com tanta gentileza, que já o ajudou em crises de pânico antes, que sorria e brincava com ele com aquele mesmo tom de voz.

 

Aguiar. Não, não, Jasper.

 

Jasper.

 

Jasper.

 

— Jasper? — ele sussurrou o nome com tanta esperança.

 

O homem sorriu e abriu levemente os braços e olhou pra si mesmo com um sorriso.

 

— Eu mesmo. Eu sei que é um corpo diferente e tals, mas eu também só acordei hoje de manhã e vim ver você assim que a Agatha se distraiu, ela tinha dito algo sobre meu corpo ter ficado muito fraco, principalmente por eu ter voltado pra ele de um jeito meio extremo e… — ele se interrompeu quando Pomba pulou pra abraça-lo.

 

— V-você… V-você tá v-vivo. E-eles d-disseram que você…

 

— Calma, calma, eu to aqui — Jasper o abraçou de volta com força, apoiando o queixo no topo da cabeça do passarinho que escondia o rosto no peito dele, o cheiro de remédios analgésicos eram fortes, mas ele ainda sentia o cheiro de Pomba, um cheiro que significava lar pra ele — Eu também não esperava voltar, mas eu voltei, eu disse que ia fazer de tudo pra não te deixar sozinho, né? 

 

Pomba soluçou.

 

Jasper estava ali. Em seu próprio corpo, estava respirando, estava vivo.

 

O mesmo Jasper que o protegeu, cuidou dele, se pôs em perigo por ele, riu e fez piadas pra anima-ló, que o ouvia falando sem desviar a atenção.

 

O mesmo Jasper que o beijou com tanto cuidado. Tanta paixão.

 

Jasper.

 

Jasper.

 

Jasper.

 

Ele se apegou ao nome dele como se fosse uma tábua de salvação, e talvez realmente fosse.

 

— Eu não vou te deixar. Você não tá’ mais sozinho, Pomba. A gente perdeu muita coisa naquele inferno de lugar, mas eu não vou perder você.

 

Não estaria sozinho?

 

Ele… Ele podia ter esperança? Podia realmente ter alguém? Podia ter Jasper ao lado dele?

 

Pomba se afastou e olhou pra ele, os olhos claros o encaravam com tanta intensidade, amor, devoção, tristeza e esperança.

 

Tanta esperança.

 

Jasper também não queria ficar sozinho.

 

— Você… Você ficaria? Ficaria comigo? — a voz de Pomba era baixa, um pouco quebrada pelo choro recente.

 

Jasper colocou ambas as mãos no rosto de Pomba, os dois se encararam com intensidade.

 

Pomba se inclinou na direção do toque, ele sentiu tanta falta disso, tanta saudade de Jasper.

 

— Vou sempre ficar com você. Enquanto você me quiser e me deixar ficar na sua vida, eu vou ficar. Sempre vou escolher você, sempre foi você.

 

Pomba queria chorar de novo.

 

Ele era uma escolha.

 

E ele foi escolhido.

 

— Eu sempre quero você comigo — ele afirmou pra Jasper ainda mantendo a voz em um tom baixo, mas pelo sorriso que recebeu dele foi o suficiente.

 

Jasper também foi escolhido.

 

— Eu posso te beijar?

 

Pomba não respondeu, ele se jogou sob o agente e colou os lábios em um beijo cheio de saudade, paixão, medo, esperança e tantos outros sentimentos entrelaçados em uma confusão que os representava.

 

Mas era um beijo que simbolizava muita coisa.

 

Eles não estavam mais sozinhos.

 

Um cão de guarda fiel que achou um passarinho pra proteger e cuidar.

 

Um passarinho solitário que achou um lar e não precisará mais voar sem rumo.

 

Eles foram escolhidos, não pra algo fantástico como salvar o mundo.

 

Não, não, eles foram escolhidos um pelo outro.

 

Eles não estarão mais sozinhos.

 

Ao se separarem do beijo, Jasper teve uma certeza.

 

Aquilo seria um novo começo. Um começo doloroso e difícil, mas ainda um começo novo.

 

E ele teria Pomba consigo.

 

Ele sempre iria ter Pomba consigo.

 

Eles sempre vão estar juntos.

 

Pássaros adoram voar livremente, mas aquele pássaro iria ficar com ele.

 

 

Notes:

meu maior inimigo são as vírgulas.

ENIM FOI ISSO, eu quero escrever mais deles e na vdd de vários casais de hexatombe e ordem num geral, a maior desgraça do meu perfil é não ter coisas de ordem!!
obrigada pela leitura <3
comentários serão apreciados, e qualquer sugestão também!!
tt: kaisersviolet