Chapter Text
"Obrigada. Não vou demorar, doutor."
Whitaker observa a mãe do seu paciente sair apressada do leito, na direção que leva aos banheiros. Ele ofereceu segurar o seu bebê de colo quando ela disse que precisava ligar para alguém, com a voz trêmula de uma forma que logo ele percebeu que, talvez, fosse apenas uma desculpa para que ela tivesse a chance de chorar, sem ser na frente do médico e do filho, que ainda estava deitado na cama, descansando. A enfermeira Kim estava terminando de verificar o paciente, e Whitaker olhou para o bebê, que parecia lentamente perceber que sua mãe não estava ali. Ainda sim, demonstrava ser um bebê tranquilo.
O jovem médico sabe que em outra situação deveria ficar atento para não haver risco das crianças serem abandonadas, mas resolveu dar esse voto de confiança a mulher, que claramente estava exausta e emotiva. O bebê começou a se mover, nervoso, e o médico tentou acalmá-lo, sua voz um pouco sem jeito, "Ei, ei, calma. A mamãe já volta."
A enfermeira Kim se aproximou, sorrindo, e ofereceu o dedo para o bebê, que segurou. Era uma cena adorável — quase parecia uma família (apesar do ambiente e dos uniformes de ambos). Distante, porém observando a cena, estava Robinavitch. Ele havia assinado alguns papéis necessários para o tratamento de um paciente, e quando foi deixado sozinho, apenas com a caneta na mão, notou o namorado. Ele apertou o objeto, os olhos fixos na cena.
Ele não estava com ciúmes, pelo amor de Deus. Michael Robinavitch tem 53 anos, e não é o tipo de homem que fica enciumado. Quer dizer, o que estava acontecendo que poderia ser tão forte ao ponto de causar qualquer insegurança?
Tudo bem que a enfermeira Kim flertou com Dennis por um tempo, e que o rapaz parecia um pouco nervoso, e quem sabe, interessado. Mas isso foi antes. Dennis só tinha olhos para ele, mesmo com Robby sendo um velho com a cabeça fora do lugar, talvez passando por uma crise de meia-idade e com a menopausa batendo na porta — pobre Whitaker. Ele apertou um pouco mais a caneta, seus olhos já ardendo por não piscar, como se estivesse hipnotizado pela cena. Whitaker estava rindo agora.
Será que Dennis queria filhos?
Robby não tinha certeza, quer dizer, ele nunca quis filhos, e não era como se estivesse na idade para isso, então eles nunca tiveram essa conversa. Na realidade, eles evitavam vários tópicos de conversa, e principalmente, devia ser por culpa de Robby, e Dennis não forçava o mais velho. Casamento, filhos, aposentadoria, na realidade, qualquer plano para o futuro... nada surpreendente, mas quando era aplicado a eles, parecia estranho. Dennis nem tinha 30 anos, ainda estava na casa dos vinte; e em alguns anos, teria a mesma idade que Robby tem agora, e o mais velho já estaria cada vez mais perto da cova... droga, ele estava começando a pensar demais nisso.
O mais velho suspirou, apertando a ponta do nariz, com os olhos fechados, "Perdendo tempo com isso enquanto os pacientes esperam..." ele mal percebeu que Dennis já havia saído e que estava caminhando na direção dele. Sem motivo, movido por alguma emoção confusa (talvez a vergonha por ser ridículo assim nessa idade), ele fugiu do namorado. O rapaz parou, confuso, mas não teve tempo de considerar ir atrás antes de escutar Dana avisando a equipe sobre um acidente de carro. Talvez tenha sido só impressão, ele pensou, enquanto corria para ajudar.
O resto do plantão conseguiu afastar os pensamentos lamentáveis de Robby, e manter Whitaker longe dele pela maior parte do tempo. E é claro que o rapaz percebeu que havia algo estranho, mas preferiu focar no trabalho. No início do relacionamento, eles tiveram uma conversa bem séria com a equipe do RH, e ele prefere não ter outra tão cedo. O relacionamento deles é um segredo surpreendentemente bem guardado, visto que apenas poucas pessoas sabem, sendo Dana, Abbot e Santos. Whitaker divide o apartamento com a garota há um tempo, e ela é uma querida amiga, então ele confiou esse segredo a ela. E, por fim, ele não contou aos pais. A ideia de falar para eles causava enxaqueca, e a culpa por não falar, também.
No estacionamento e apoiado na motocicleta de Robby, Whitaker termina de mandar uma mensagem para a amiga, avisando que irá dormir fora. Durante o turno, Dennis encontrou o namorado por acaso quando saia do banheiro. Ele teve certeza que tinha algo estranho quando Robby deu meia-volta ao vê-lo. Ele foi rápido em segurar o antebraço do mais velho, e como não podia demorar, apenas afirmou:
"Vou dormir na sua casa hoje." Simples e direto.
Ele estava um pouco orgulhoso de si mesmo por ter conseguido se impor de certa forma. Se ele havia feito algo errado, Robby precisava falar, e não evitá-lo. Talvez Deus estivesse ao lado dele, visto que eles tiveram a sorte de ter em comum esse final de semana livre. E ele aproveitaria para fazer a compra do mês para a casa do namorado, e preparar algumas marmitas para Robby. Talvez pudessem maratonar alguma série!
Dennis suspirou, sentindo a exaustão do turno. Ele tocou no pescoço levemente quente, flexionando-o em uma tentativa de aliviar o desconforto. Sua cabeça estava doendo de todo o barulho do pronto-socorro.
Ele suspirou novamente, mas logo sorriu ao ver Robby se aproximando, segurando a mochila por uma só alça. Robby acenou para ele e ofereceu um sorriso cansado. Dennis queria beijá-lo e assim o fez; se inclinou para dar um selinho breve no mais velho, que sorriu, parecendo um pouco envergonhado, "Aqui não, doutor Whitaker", Robby provocou, e o rapaz revirou os olhos, se afastando o suficiente para que o outro subisse na motocicleta.
"Senti sua falta, doutor Robinavitch... já que alguém parecia estar fugindo..." ele aceitou o capacete, e o mais velho deu de ombros, colocando o próprio capacete (que depois de bastante insistência de Dennis, ele estava começando a usar).
Dennis subiu na motocicleta, e eles seguiram para a casa do mais velho. A viagem foi rápida, e silenciosa. Robby deixou o mais novo entrar primeiro, e pegou o capacete dele, deixando ambos em uma mesinha próxima, após fechar a porta. Dennis o observou ir para a cozinha lavar as mãos e jogar uma água no rosto, e o seguiu até lá.
"Sei que tá cansado, mas eu acho que mereço saber o porquê de você ter me evitado o dia todo..." Ele começou a tirar os bloqueadores de cheiro, "Eu fiz algo? Não é do seu feitio me evitar assim."
Robby o encarou, e negou com a cabeça, "Eu só estava ocupado. Apenas isso." Ele também tirou os adesivos, descartando-os no cesto de lixo. Whitaker respirou fundo, apreciando o cheiro de Robby já impregnado na casa, ao mesmo tempo que os próprios feromônios lentamente começavam se expandir.
Robby tinha os feromônios fracos, por tantos anos os reprimindo; a maioria das pessoas acham que ele é um beta, e ele prefere assim. Até em casa ele tinha esse costume de reprimir o próprio cheiro, mas foi outra coisa que Dennis mudou em sua vida. Agora no conforto do seu lar, sozinhos, e com os feromônios de Dennis o abraçando com carinho e amor, ter pensado tudo aquilo mais cedo parecia bobagem.
"Amor..." Dennis segurou uma das mãos de Robby, entrelaçando seus dedos, carinhosamente. Seus olhos azuis fixos em Robby, pacientemente esperando a verdade, ao mesmo tempo que seus feromônios ficavam mais fortes.
Robby o encarou em silêncio. Ele podia continuar negando, mas sabia que Dennis ia continuar insistindo. O rapaz geralmente dançava conforme Robby queria, mas só pelo tom de voz e pelos feromônios, ele sabia que isso ia se tornar um jogo de resistência e no fim, ele iria se cansar primeiro. Um pouco a contragosto, ele resmungou, "Estava inseguro." Deu de ombros, "Besteira. Nada importante, Dennis. Eu sou um velho, então é normal que eu esteja começando a caducar-"
"Michael!" aquele não era um tom fácil de ignorar. Dennis se aproximou mais, tocando o rosto do mais velho com a mão livre, acariciando sua barba, "Eu te deixei inseguro?" Ele estava com uma expressão preocupada, seus olhos brilhantes, bem marcados pelas olheiras.
Robby o encarou, e negou levemente, "Eu que pensei várias bobagens, não foi sua culpa." Ele suspirou, e então encostou a testa na testa do outro, "Sabe, pensei na diferença de idade, e como você está... desperdiçando seu tempo comigo. Você nem vai poder ser pai... tem pessoas que ligam muito pra isso, sei lá..." ele afasta a cabeça, dando de ombros novamente.
"Eu não quero ser pai... por que..." Dennis engoliu em seco. Pensando um pouco, ele realmente nunca desejou ser pai, principalmente porque tinha medo de ser que nem os próprios pais, mas se fosse com Robby... talvez ele pudesse querer ser pai se fosse com Robby, mas seria uma decisão idiota dizer isso, então ele apenas insistiu, "Eu realmente não quero ser pai, então por que você pensou nessas coisas?"
E, rapidamente, ele entendeu de onde veio a insegurança. O bebê de mais cedo. Ele quase quis rir por isso. Como poucos minutos causaram tanta ansiedade ao namorado dele? Mas ele apenas sorriu pequeno, e beijou Robby, suave.
"Michael, eu só quero você, nada mais. Eu só segurei o bebê porque a mãe precisava de um tempo sozinha. Não deixe que algo tão insignificante ocupe a sua mente assim, ok?"
Robby acenou, um pouco envergonhado por ser lembrado de algo tão bobo e simples. Os feromônios de Dennis já estavam fortes no ambiente, e todo o corpo de Robby sentia aquele calor e conforto que o alfa estava transmitindo para ele.
Robby soltou a mão de Dennis, e passou os braços ao redor dos ombros do rapaz, o beijando. Dennis abraçou a cintura dele, seus dedos tocando as costas de Michael por debaixo da camisa, em movimentos para cima e para baixo, parecendo um tipo de carícia e provocação. Robby suspirou baixinho ao afastar a boca, e encarou o rapaz que já o observava. Havia uma intenção a mais nos feromônios do alfa: desejo.
Dennis sorriu e beijou o pescoço de Robby, próximo a glândula de cheiro, "Vamos tomar um banho, Michael."
Apesar de claramente desejar banhar com Robby, Dennis deixou o mais velho ir primeiro; Robby não o pressionou, porque tem certeza que se estivessem juntos no box, iria terminar em sexo, e na última vez, ele realmente sentiu as costas no dia seguinte. Ele ainda deve se sentir culpado, pensou, enquanto lavava o cabelo. Robby lavou bem o corpo, e após longos minutos saiu do banheiro, sentindo-se renovado. Aproveitou para aparar a barba e escovar os dentes. Ele vestiu uma camiseta velha e calças tão velhas quanto, e foi para a cozinha, secando o cabelo. Dennis havia colocado as sobras para esquentar no micro-ondas, descartado o lixo e estava terminando de lavar a louça que Robby estava evitando desde a noite passada.
"O banheiro está livre, Dennis" Robby se aproximou por trás do rapaz, e beijou a nuca dele. Dennis sorriu, e Robby se afastou para tirar a comida do micro-ondas. Após secar as mãos, Dennis deu um selinho em Robby e foi tomar banho, deixando o mais velho comendo sozinho, mas ainda acompanhado dos seus feromônios.
"Ngh..." Robby já estava corado e trêmulo, uma mão apertando o travesseiro que estava abaixo da sua cabeça. Dennis estava entre as coxas dele, o chupando devagar, enquanto movia três dedos em seu interior, o preparando e provocando aquele ponto algumas vezes. Robby levou a mão livre para a cabeça de Dennis, acariciando os cachos. Dennis o tomou mais fundo, e já sensível, Robby reagiu, apertando-o entre as coxas; tranquilo, Dennis tomou as coxas de Robby em suas mãos, afastando-as o suficiente para continuar chupando o mais velho, e levou novamente alguns dedos para o interior molhado do ômega.
"Dennis... c-chega..." ele sussurrou, e apertou o cabelo do rapaz, sentindo o calor no estômago aumentar. Dennis o ignorou, e ansioso, Robby falou mais alto, "Sério, para um segundo!" Ele puxou a cabeça de Dennis, um pouco forte demais. Ele tremeu ao perceber a força aplicada, culpado, "Desculpa, não queria ter puxado assim..." Dennis tossiu levemente, mas sorriu, e se inclinou para perto do namorado, tirando os dedos de dentro dele; ele beijou o pescoço de Robby, com cuidado para não deixar marcas.
"Tá muito cansado?"
Robby acenou, "Não acho que consigo vir duas vezes, então é melhor você meter logo", ele estava meio zonzo por causa dos feromônios do mais novo. O rapaz beijou o pescoço dele mais algumas vezes, antes de descer os beijos para a barriga do mais velho, que resmungou, "É sério, Dennis."
Whitaker riu baixinho, "Ok, ok, desculpa". Ele pegou a camisinha que estava próxima, e a colocou. Logo em seguida, segurou uma das mãos de Robby, beijando a palma, "Consegue liberar mais dos seus feromônios?"
Robby acenou. Dennis sorriu e colocou outro travesseiro abaixo dos quadris de Robby, acariciando com os polegares a parte interna de suas coxas enquanto entrava lentamente no homem. Michael suspirou e gemeu baixinho com a intrusão. Ele já estava liberando mais feromônios, sua presença se tornando mais clara diante do cheiro de Whitaker presente no quarto. Não demorou para eles estarem abraçados, se beijando, enquanto Whitaker saia parcialmente e logo mergulhava no calor de Robby, pressionando o ponto sensível do mais velho.
Ele nem fez questão de se segurar dessa vez, visto que claramente Michael iria gozar a qualquer momento. Ele sentiu as unhas pequenas de Robby arranhando suas costas. O mais velho pressionou sua nuca para baixo, em direção ao próprio pescoço sem marcas.
"É, ah... é final de semana, Dennis." o mais velho sussurrou, incitando-o. Whitaker não hesitou, lambendo e deixando alguns chupões no pescoço do mais velho. Robby ofegou, rindo baixinho, "Não é nem preciso dizer duas vezes..." Ele sussurrou, rouco, próximo a orelha do mais novo, "Que bom alfa, huh?"
Era para ser apenas uma brincadeira, mas foi suficiente para Dennis gemer em seu pescoço, gozando, trêmulo. Ele tentou não cair totalmente em Robby, e o mais velho apenas mordeu o lábio inferior, segurando a vontade de rir. Ele não sabia que Whitaker tinha esse tipo de ponto fraco.
Ele suspirou, ainda segurando a risada, "Tudo bem, tudo bem, que tal você descansar... agora? Espera, Dennis- ngh!" Whitaker estava se movendo novamente, seus braços o firmando, ainda que um pouco trêmulos. Ele estava se movendo com foco total na próstata de Robby. O mais velho apertou seu ombro, sentindo o rapaz deixando mais marcas em seu pescoço, "V-você acabou de gozar, o que- ah, ah..."
"Mas... você ainda não gozou..." Dennis estava soltando mais feromônios, intensos e que revelavam toda a sua paixão. Robby mal percebeu que estava com a visão marejada, seus olhos brilhando. Ele estava vendo estrelas. Dennis finalmente o olhou, seu rosto estava bem corado e seus olhos azuis tinham alguns tons dourados, "Sou o seu bom alfa, né?"
Robby sentia todo o seu corpo tremer diante da visão. Já a beira do orgasmo há tanto tempo, ele gozou, soltando um som alto; seu ômega interior que há anos ele reprimiu, gritou dentro de si diante da situação. Dennis estava no cio? Seu alfa estava no cio? Robby estava tremendo intensamente, enquanto Dennis que ainda estava dentro dele — talvez porque Michael estava o apertando de maneira que ele não conseguia sair — beijava seu rosto com delicadeza e devoção, provando as lágrimas salgadas do mais velho. O quarto estava cheirando a sexo de uma maneira que parecia quase palpável, e os feromônios deles pareciam dançar juntos, os abraçando — o quarto parecia um tipo de ninho de amor, que havia sido formado sem o mínimo de consciência deles. E apesar disso, Robby tinha certeza que seu ômega interior estava no céu.
Robby nunca fez um ninho, mas naquele momento ele sentiu que aquilo — o cheiro, o calor de Whitaker, a forma como parecia um lugar seguro — tinha uma essência parecida com os ninhos que ômegas faziam para se sentirem seguros.
Michael podia sentir seu ômega interior ansioso para cuidar do seu alfa que aparentemente estava entrando no cio, mas a exaustão foi mais forte, e o tomou lentamente. E, enquanto ele era acalentado pelos feromônios amorosos de Dennis, ele ouviu a voz suave e distante do seu alfa:
"Sempre será você, Michael..."
E qualquer ansiedade e insegurança que poderiam ainda existir em Michael Robinavitch, desapareceram naquela noite.
