Actions

Work Header

Um Filhote Necessitado e Um Ômega com coração

Summary:

Sasuke encontra um filhote, de não mais de cinco anos, jogado na calçada, abandonado e em condições terríveis. Ele não sabe muito bem o porquê, mas todos seus instintos gritavam para que ele resgatasse aquele pobre cachorrinho e levasse para sua casa, e assim ele faz. Sem nenhuma experiência ou recursos para cuidar de uma criança, Sasuke precisa recorrer ao alfa idiota que faria de tudo por ele sem questionar, Naruto.

Notes:

Oioioi, primeiro trabalho que eu público aqui, e espero sinceramente que gostem, risos. Tenho muitas ideias de fanfics pra escrever ainda, e de fandoms diversos (naruto, blue lock, haikyuu, até de f1). A maioria delas vai ser omegaverse, porq eu amo todas as possibilidades de enredo que esse universo pode proporcionar, então se não gosta, apenas não leia!

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Meu Corpo Reage a Você

Chapter Text

Era passado das nove da noite e o céu rugia, como se anunciasse a chegada de uma grande tempestade, acompanhada pelo típico frio de outono. O turno de Sasuke na pequena cafeteria do bairro acabava às sete, mas ser o último do dia o obrigava a ficar pelo menos duas horas a mais para a limpeza do local, então normalmente ele estaria em casa perto das dez.

Seus dedos estavam frios e gelados enquanto trancavam a porta da frente, pequenas nuvens de ar quente saiam pela sua boca enquanto expirava. A dor de cabeça de mais cedo ainda não havia cessado, sendo um incômodo a mais que o importunava além do cansaço e do sono. A ideia de ter que ir andando até o apartamento, somado a todo o resto, aumentavam ainda mais seu desânimo.

Caminhando pela calçada com as suas orelhas de lobo achatadas no crânio, Sasuke somente desejava chegar em casa logo, tomar um banho quente e então se jogar em sua cama para conversar com o idiota do alfa loiro até pegar no sono — essa normalmente era sua rotina, e ele gostava — mas aparentemente naquela noite, o destino tinha algo a mais reservado para o Uchiha.

A calçada estava úmida de uma chuva que caíra anteriormente, e seus passos faziam sons molhados por causa das poças que pisavam, era um som tênue, que combinava com a leveza dos movimentos, apesar de apressados. Mas então, de repente, um baque maior pode ser ouvido, algo consideravelmente pesado, pelo menos maior que uma pisada, cai com tudo no chão, bem em cima de uma poça d’água, tornando a queda ainda mais barulhenta.

O barulho vinha da rua ao virar a esquina, mas Sasuke não havia chegado lá ainda, e nem fazia parte de seu caminho, considerando que ele deveria seguir em frente e atravessar a faixa até o outro quarteirão, mas a curiosidade falou mais alto. Ele diminuiu os passos e se esgueirou naquela esquina, olhando para a lateral dela, além da faixa de pedestres, um caminho que basicamente levava a um túnel de carros.

A estrada ali estava praticamente vazia e quase não movimentada, se não fosse por um único carro, de cor preta, parado ao lado da calçada e um pouco antes do início do túnel. O motor estava ligado e os farois acesos, indicando ter alguém dentro. Apenas a porta do passageiro estava ligeiramente aberta, mas uma mão, claramente adulta, permanecia na maçaneta interna, como se estivesse prestes a fechar. Isso não seria nada realmente anormal, contudo, Sasuke teve a última decisão de olhar para a calçada em frente a porta aberta, e seu coração deu um pulo.

Um corpo minúsculo estava caído perto do meio fio, claramente havia sido jogado sem cuidado algum pela posição em que pairava agora. Não precisava analisar muito para perceber que se tratava de um filhote, tanto pelo tamanho, quanto pelo cheiro — sim, o cheiro. Ondas leitosas percorreram o ar até as narinas de Sasuke, e ele com seu sentido aguçado, percebeu que se tratava de um feromônio bem típico de recém-nascidos e filhotes ainda muito novos sem cheiro próprio. 

Vozes vindas de dentro do carro podiam ser ouvidas, mesmo de longe, provavelmente pertencentes ao homem daquela mão ou do motorista, independente, o tom era ríspido e grosso, deferindo xingamentos ao filhote e outras coisas que Sasuke não conseguia entender direito, seu cérebro somente conseguia prestar atenção na imagem minúscula e trêmula que choramingava e se encolhia a cada palavrão dito alto demais.

Seu sangue ferveu e sua cauda se arrepiou, mil e um cenários foram se criando em sua mente, um pior que o outro, como se seu cérebro tentasse encontrar uma razão do porque alguém trataria um filhote tão indefeso assim, mas nenhuma conclusão conseguia justificar. Seu corpo quase se empurrou da parede por impulso próprio, prestes a ir até a cena e se colocar entre o filhote e qualquer possível ameaça — aliás, suas presas já prontas para rasgar a garganta de alguém —, mas então a porta do carro se fecha com um baque alto e tanto o filhote, quanto Sasuke, dão um pulo. O carro arranca tão rápido que o barulho no asfalto molhado é ensurdecedor, a água espirra dos pneus e jorra na calçada, inclusive no filhote. Em poucos segundos, o carro some na escuridão do túnel. 

O filhote, que havia se enrolado em sua própria cauda até não conseguir mais, estava choramingando, colado ao chão sujo e molhado. Sasuke se permitiu acalmar primeiro, deixando seu cérebro pensar antes de agir por impulso. Suas presas retraíram de volta, e ele respirou fundo antes de finalmente se afastar da parede.

Sasuke seguiu bem devagar em direção ao lobinho, com medo de acabar assustando mais o pequeno quando ele percebesse sua presença. Ao pairar em frente ao filhote, sua sombra na calçada praticamente engolia toda a imagem do ser jogado ali e analisando melhor, era perceptível sua estatura magra, além do pelo sujo e grudento, tanto de lama, quanto de sangue. A cauda, enrolada na cintura, não era peluda e fofinha como a da maioria dos filhotes, mas imunda e mal cuidada, o mesmo valia para as orelhas, que estavam achatadas em seu crânio. 

Outro fator determinante era o cheiro, ah sim. O nariz de Sasuke farejou o ar algumas vezes, e o perfume leitoso não era exatamente doce como deveria, mas soava parecido a leite estragado: azedo e amargo. O filhote estava assustado, sim, isso Sasuke já havia assumido com plena certeza, mas mesmo tentando, ele não conseguiu sentir nenhum outro cheiro por baixo daquele, nenhum feromônio próprio. Sem indícios de um perfume próprio, o filhote não deveria ter mais do que cinco anos.

Sasuke deveria ter feito algo ao invés de apenas ficar analisando parado feito uma estátua, porque quando o filhote ergueu o olhar, confuso sobre a sombra misteriosa que o envolvia, ele deu de cara com o Uchiha.

  Um guincho alto fez o corpo do filhote tremer, e ele se jogou para trás, seu corpinho prensando ainda mais contra o chão, se é que isso fosse possível. Sasuke arregalou os olhos, recuando um passo, ele não imaginou, e nem esperou, assustar o garoto assim. Sua reação instantânea foi agachar lentamente, na tentativa de se fazer menor, e erguer os braços em sinal de rendição, mas os olhos do filhote continuavam acompanhando os seus, com desconfiança e cheios de lágrimas.

O ômega abriu a boca, mas nada saiu, então fechou novamente. O filhote à frente esperava uma reação sua, mas o que ele deveria fazer?... Perguntar seu nome? Se estava tudo bem? Nada parecia muito adequado naquele momento, e a expressão no rosto daquele anjinho transparecia uma fragilidade que poderia se quebrar a qualquer hora.

Sem que percebesse, a cauda de Sasuke começou a se movimentar bem devagar, na tentativa de tranquilizar, e suas orelhas se colaram à cabeça, viradas para trás, em sinal de cautela, mas curiosidade. Já as orelhas do filhote, ou pelo menos uma delas, estava totalmente em pé, sinal de alerta total, mas a outra pairava caída, dando pequenos espasmos. “Provavelmente machucada” pensou Sasuke.

Com extrema cautela, a mão do Uchiha se aproximou do pequeno ser em sua frente, e mesmo que o movimento tivesse sido feito com todo cuidado do mundo, não impediu que o garoto se encolhesse e ele estendeu seus bracinhos finos para proteger a cabeça, como se esperasse um golpe.

— Por… favo… — A voz era tão fraca e baixa que Sasuke quase não ouviu, suas orelhas até se viraram para frente por alguns segundos na tentativa de ouvir melhor antes de

voltarem ao estado de alerta para trás.

Sasuke insistiu e não abaixou a mão. Com uma delicadeza que até o próprio Uchiha estranhou, ele tocou os bracinhos trêmulos do filhote, e praticamente os dois couberam em sua palma. Com muito cuidado, guiou os braços para baixo, tendo visão do rostinho do filhote novamente. Os olhos arregalados denunciavam medo, mas também confusão, e talvez… esperança?

— Aquele carro… eles te deixaram aqui? — Definitivamente não foi a melhor pergunta, Sasuke concluiu, mas ele realmente não sabia o que fazer. 

O filhote pareceu demorar para processar o tom incrivelmente suave que tinha na voz do estranho, até acenar com a cabeça lentamente, sim. A resposta não parecia confiante, mas sim relutante, como se ele temesse até falar ou responder Sasuke.

Vendo que o filhote não parecia se acalmar tão facilmente, o ômega arriscou algo que, em qualquer outra situação, ele pensaria mil vezes antes de fazer: Levou a mão até sua jaqueta volumosa e abriu um pouco o zíper, para que pudesse ajustar a gola. Tendo um melhor acesso, ele tocou na curva de seu pescoço, onde havia uma fita branca — se tratava de um adesivo inibidor. — Esses adesivos servem para esconder os seus feromônios de alguém completamente e Sasuke sempre os usou desde que se conhecia por gente. Mas naquele momento, pensou que talvez sentir o cheiro doce do perfume de um ômega, ajudasse o filhote a se acalmar, ou pelo menos o fizesse entender que o Uchiha não significava perigo algum.

E assim aconteceu. Logo após Sasuke arrancar o adesivo de sua glândula odorífera, o cheiro de chocolate amargo com lavanda preencheu o ar e tomou conta do ambiente. Quem diria que Sasuke Uchiha tivesse um perfume com cheiro de chocolate, certo? O próprio sempre se perguntou isso, por que todas as vezes que soltava seus feromônios em público, acabava chamando a atenção de crianças, que faziam uma roda envolta dele, e Sasuke nunca foi bom em lidar com elas, mas pelo menos nessa situação de agora, o cheiro pareceu ajudar.

O narizinho do filhote em sua frente farejou o ar algumas vezes e seus ombros relaxaram quase instantaneamente, mesmo que só um pouco. Os olhos também, deixaram de olhar tão aterrorizadamente para Sasuke e desviaram para outro canto enquanto tentava captar mais daquele cheiro bom. Sasuke aproveitou o momento para erguer sua mão em direção ao filhote de novo.

— Fizeram coisas ruins com você, não fizeram? — Talvez soasse indelicado perguntar tão diretamente, mas o jeito suave o qual sua mão se aproximou e tocou o rosto do filhote fizeram o garotinho baixar a guarda aos poucos mesmo depois de ter levado um sustinho. 

— S-sim… — A resposta demorou para vir, e a voz era quebrada, engolida por um tom embargado, o garoto o encarou até inclinou sua cabecinha levemente para a mão em sua bochecha, como se procurasse segurança naquele toque quente.

O coração de Sasuke simplesmente deu um pulo em seu peito, e começou a doer de um jeito que não conseguia explicar. Um nó também se formou em sua garganta, ardendo. Seu instinto ômega, depois de tantos anos somente se manifestando sob a presença de Naruto, agora parecia querer dominar Sasuke completamente, reagindo a aquele filhote, seu lobo pulsava dentro de si, repetindo o mesmo recado.

            Proteja, cuide, seu.

A esse ponto, seus dedos se moviam sozinhos, acariciando a bochecha do filhote com uma ternura involuntária e muito cuidado. Algumas lágrimas que caíram dos olhos daquele cachorrinho escorreram por sua mão e Sasuke voltou à realidade. Ele precisava agir, aliás, aquele serzinho ainda o encarava com expectativa e certo receio.

— Você tem para onde ir? — pergunta boba, já imaginava a possível resposta.

E como esperado, o filhote balançou a cabeça, não.

— Quer vir comigo para minha casa? — As palavras saíram de sua boca de forma tão natural que o próprio ômega ficou impressionado, mas não se arrependeu de ter dito-as, e apenas esperou em silêncio por uma resposta. 

O filhote arregalou os olhos novamente, mas não de medo, e sim de choque genuíno. Sasuke jurou por dois segundos ter sentido novas notas doces no meio daquela camada azeda de leite estragado que antes emanava do filhote, e a cauda suja do pequeno afrouxou seu aperto em volta da própria cintura, dando algumas batidinhas na perninha. Sua orelha não ficou para trás, fazendo um movimento rápido de surpresa, enquanto a outra, imobilizada, deu um espasmo grande, mas continuava caída.

A boca do filhote abriu, mas fechou de novo, como se temesse responder, ou talvez só não soubesse o que dizer. Ele desviou o olhar e um pequeno tremor percorreu seu corpo visivelmente.

— Vai… m-machucar?... — A pergunta, feita tão inocentemente foi a gota d’água para Sasuke, que colocou sua outra mão vazia sob a outra bochecha do filhote, e virou o rostinho dele com delicadeza, fazendo o cachorrinho olhar para ele.

— Não, eu só quero te ajudar. Você deve estar com dor, não é? E com frio também. — Sasuke concluiu se baseando nos machucados visíveis e na pele gelada — Minha casa é quente e segura. Você quer que eu te ajude?

Os olhos do filhote naquele momento irradiavam um brilho adorável enquanto encaravam o ômega em sua frente. Ele balançou a cabeça com um aceno tão rápido e apressado que saiu todo atrapalhado. Sasuke percebeu que seu próprio cheiro de chocolate estava se misturando com o cheiro de leite daquele anjinho, agora bem menos azedo. Um sorriso baixo, mas evidente, tomou conta dos lábios.

Ele soltou as bochechas do filhote e se levantou do chão, o garotinho ainda o encarava até soltar um pequeno guincho de surpresa quando foi levantado pelas axilas por Sasuke. O Uchiha ficou impressionado e angustiado com o quão leve aquele corpinho era, além do trêmulo. O ajeitando em seu colo, o filhote automaticamente enterrou a cabecinha no pescoço do ômega, tentando extrair mais do cheiro chocolatoso, enquanto uma de suas mãozinhas agarrava com força a jaqueta de Sasuke, que deixou.

No céu, uma nuvem especialmente carregada começava a tapar a lua, e a brisa fresca junto dos trovões ao fundo começavam a indicar que a tempestade estava ainda mais perto. Mas a única coisa que preocupava a mente de Sasuke no momento era como ele iria lidar com aquele filhote.

 

𖡼     𖡼     𖡼

 

No primeiro passo que Sasuke deu para dentro dos complexos de apartamentos, a chuva calma que antes começara no meio do caminho, aumentou assustadoramente, e o ômega agradeceu a todos os deuses mentalmente por terem esperado ele chegar em casa.

Quando destrancou a porta e entrou, um ar quente atingiu seu rosto e isso fez o Uchiha relaxar um pouco mais, aparentemente o mesmo aconteceu com o filhote. Sorte a deles que Sasuke sempre deixava o aquecedor ligado antes de ir ao trabalho, para quando chegar a noite toda, o ambiente estar quentinho — esse era um costume que Naruto sempre implicava, dizendo sobre o perigo de um incêndio.

O apartamento de Sasuke não era grande, longe disso, mas perfeito para um jovem adulto morar sozinho, sem parentes, amigos ou um companheiro — apenas o alfa insistente e chato que insistia em visitá-lo com mais frequência que o comum. — Mesmo sendo pequeno, era funcional. Uma cozinha integrada à sala, um banheiro na lateral e um minúsculo corredor que levava ao único quarto, essa era a disposição do apê.

Suspirando, Sasuke se permitiu pensar um pouco, ele olhou para baixo, e em seus braços o filhote ainda repousava quietinho, o estado de alerta havia amolecido junto com seu corpinho, provavelmente o cansaço estava ganhando a luta. Mas Sasuke não poderia deixá-lo dormir, não ainda. O garotinho estava todo machucado, sujo e provavelmente devia estar muito desconfortável. Como se adivinhasse que estava sendo observado, o filhote ergueu a cabeça, e seus olhinhos cansados encontraram os olhos de Sasuke, o ômega suavizou ao encarar de volta. 

— Chegamos. É quente, não é? — O filhote concordou com a cabeça meio tímido. — Prometo que vou te deixar dormir em paz, mas antes precisamos te dar um banho, ok? 

Sasuke não sabia o porque ele estava falando assim, feito um professor de jardim de infância, mas era simplesmente automático, como se seu lobo sussurrasse o que ele deveria dizer antes de realmente colocar em palavras — ou talvez fosse apenas influência de Iruka em sua vida, que sempre o tratou assim quando ele era um filhote.

Sasuke seguiu até o banheiro, mas antes de entrar, tirou seu celular do bolso da jaqueta e o colocou sobre a bancada da cozinha, bancada essa ao lado da porta do banheiro. Ao ser colocado sobre a superfície, o aparelho acendeu, mostrando a tela de bloqueio, onde a foto de fundo era uma selfie onde o próprio Sasuke havia sido puxado à força por Naruto. Algumas notificações pipocaram por cima da imagem, mas o ômega já estava olhando para outro canto quando aconteceu.

No banheiro, o ômega fez menção de depositar o filhote em cima da privada com a tampa fechada, o filhote hesitou, demorando para soltar o aperto de sua mão na jaqueta do adulto, mas então soltou, e Sasuke o colocou sentadinho, para então se agachar em sua frente. 

— Posso te fazer algumas perguntas? 

O filhote apertou suas mãos em cima do próprio colo, as orelhas voltando a ficarem achatadas no crânio, mas ele acenou com a cabeça, sim.

— Quantos anos você tem? 

Uma das pequenas mãos moveram no colo, e três dedos foram erguidos, mas depois baixaram novamente e quatro dedos foram erguidos no lugar, hesitantemente. Ao perceber que os quatro dedos pareciam querer baixar também, ele interviu.

— Você não sabe sua idade? — o filhote balança a cabeça que não. — Tudo bem, cachorrinho, pelo menos sabe me dizer seu nome?

Ele encarou Sasuke por alguns segundos antes de responder, como se processasse a pergunta.

— Iz… Izuna… 

— É um nome lindo, sabe seu sobrenome também, Izuna? — Sasuke perguntou com cautela, e um rubor atingiu as bochechas de Izuna antes que ele desviasse o olhar, balançando a cabeça, não.

— Ok, o nome é suficiente… — Ele tranquiliza. — O meu é Sasuke, Sasuke Uchiha. Vou te dar um banho para que você possa dormir, certo? — Izuna concorda com a cabeça e Sasuke já está levantando para ligar a banheira, priorizando preparar uma água morna que fosse confortável.

Obviamente havia mil e uma perguntas que Sasuke gostaria de fazer ao filhote para entender toda a situação, mas já era bem tarde, e o pobrezinho além de cansado, parecia estar muito machucado, ele precisava de cuidados e descanso, não de um interrogatório agora. As perguntas poderiam esperar até amanhã certamente. 

Enquanto ajeitava a água na banheira, o ômega olhou para trás de relance e viu o pequeno balançando seus pezinhos, que não chegavam a tocar o chão, um sorriso se ergueu em seu rosto. Após garantir que a água estava em uma temperatura ok, Sasuke se levantou, pegou uma das toalhas penduradas ao lado do espelho e molhou na pia, para então se voltar ao filhote, o ajudando a tirar sua roupa.

Enquanto despia, mais machucados superficiais eram revelados por todo o corpinho de Izuna, que choramingava toda vez que partes da roupa grudavam em algum dos arranhões. Sasuke realmente não queria piorar sua dor, mas precisava livrar o filhote daquela roupa imunda e suja. Quando ficou totalmente despido, ele se encolheu um pouco e levou as mãos para proteger e esconder as partes íntimas com vergonha, Sasuke, por respeito, evitava olhar na direção delas.

Antes de colocá-lo na banheira, o ômega usou a toalha, anteriormente umedecida na pia, para limpar superficialmente os machucados de Izuna. A maioria se tratava de pequenos cortes e arranhões, além de hematomas já roxos, mas nada grave, o sangue também parecia seco, sem nenhuma ferida em aberto. Marcas de dedos no quadril e pescoço do filhote o faziam imaginar coisas que davam vontade de vomitar. Mas, a pior parte se encontrava no topo de sua cabeça. 

O filhote tinha cabelos escuros e consideravelmente longos, que passavam um pouco da nuca, Sasuke conseguia sentir os fios grudentos e ressecados ao passar os dedos, definitivamente não estavam em seu melhor estado, mas era algo que um bom banho e produtos de boa qualidade provavelmente resolveria, sendo assim, a questão em si estava naquela orelha caída, que Sasuke imaginou que poderia estar machucada, e realmente estava.

Uma lesão relativamente grande e feia na base da orelha fazia seu contorno ficar um pouco inchado, sangue seco parecia envolver a ferida, mas que não parecia recente. Mesmo que não fosse de agora, ou que não sangrasse mais, parecia incomodar e doer muito, Izuna mal mantinha a orelhinha em pé, como se não conseguisse ter controle total dela. 

De todos os ferimentos, esse era o pior com toda certeza, Sasuke olhou para aquilo e congelou na hora, não era algo que poderia ser resolvido em cinco minutos, ou com um banho, precisava mesmo era da avaliação de um médico, mas naquele horário ele não tinha como levar o garoto em um hospital.

Em uma decisão rápida, e talvez incerta, Sasuke continuou limpando os cabelos do filhote, evitando a orelha machucada e somente passando o pano aos arredores. Enquanto esfregava gentilmente a toalha nos fios, para tirar o máximo possível de sujeira, o Uchiha notou outra coisa no couro cabeludo de Izuna, piolhos.

Certo, como ele resolveria isso? Sasuke suspirou ao perceber o tanto de problemas que teria que resolver. Mas olhando para baixo, Izuna ainda o olhava tímido e esperançoso, isso fez a mente de Sasuke relevar um pouco.

— Vou te colocar na banheira, ok?

O filhote concordou com a cabeça e Sasuke passou os braços embaixo de suas axilas, o erguendo no ar. Ao tocar na água, o corpo de Izuna deu um leve tremor e sua cauda uma batida violenta na superfície, provavelmente os cortes estavam ardendo, mas logo todo ele relaxou instantaneamente ao ser envolvido pelo calor morno.

— A água está boa? 

— Uhum…

Com a confirmação, Sasuke pode continuar com o banho. Pegou um sabonete neutro e começou a esfregar gentilmente a pele do garoto com uma bucha, mas sempre perguntando se estava tudo tranquilo.

Os minutos passaram tão rápido que nenhum dos dois perceberam, Sasuke estava tão empenhado em tirar as crostas de sujeira do corpinho sem machucar que ele nem sequer havia chegado perto do cabelo ainda, como se evitasse, mesmo sabendo que uma hora teria que ligar com aquilo.

Izuna também não disse uma palavra durante o banho, sempre quietinho e apenas respondendo as perguntas com sim ou não, balançando a cabeça. Mas de repente, um som novo ecoou no cômodo, rompendo o silêncio entre eles. 

Grrrroooaaarrr…

Era o estômago do filhote. Sasuke parou de esfregar por um momento e então se tocou, “ele deve estar com muita fome”. Antes que pudesse continuar e começar a lavar os cabelos de Izuna, Sasuke olhou para o filhote e falou com calma:

— Pode ficar aí enquanto eu procuro algo para comermos depois do banho? — O filhote concordou tímido e Sasuke se levantou, deixando o banheiro.



Ao abrir a geladeira, Sasuke se deparou com outro problema, — quantos mais ele teria que lidar nessa noite? — Ela estava praticamente vazia, apenas algumas latas de cerveja, macarrão instantâneo e alfaces que nem poderiam mais ser chamadas assim, de tão murchas que se encontravam.

Sem leite, sem doces e sem nada nutritivo. Sasuke não tinha nada naquela casa que um filhote pudesse comer, principalmente um tão novo assim. Normalmente ele próprio chegaria em casa e se contentaria com um pote de macarrão instantâneo, ou nem comeria, considerando que sempre fazia uma refeição na cafeteria durante seu turno, mas Izuna precisava comer, e de jeito nenhum poderia ser comida instantânea.

Enquanto quebrava sua cabeça pensando no que deveria dar ao filhote comer, uma vibração no balcão chamou sua atenção. Era seu celular, estava tocando e alguém ligava para ele. Ao contornar a cozinha para alcançar o aparelho, Sasuke viu o rosto de Naruto aparecer na tela, junto do ícone verde do telefoninho para atender. 

Porra, eu esqueci completamente desse idiota. Ele congelou por dois segundos antes de atender rapidamente.

— Sasuke, você tá bem?! Finalmente me atendeu! Porque não me responde?? — A voz do outro lado gritava estridentemente, e o ômega precisa afastar o telefone do ouvido antes de continuar.

— Pare de gritar, idiota, estou te ouvindo perfeitamente.

— Mas porque não me responde desde as dez? Algo aconteceu no trabalho??

Desde as dez?... Que horas eram?

Sasuke olhou o horário pela tela do celular e se surpreendeu ao ver que já eram onze e meia da noite, ele demorou tanto assim? Ao descer a barra de notificações, percebeu que haviam milhares de mensagens e ligações perdidas vindas do número de Uzumaki, desde o horário em que saiu do trabalho, ao fim do turno.

— Sasuke, tá aí ainda? 

— Hm? Ah, sim. Estou te escutando. — O alfa ainda esperava uma resposta, mas Sasuke não ia contar sobre o filhote, não ainda. — Olha, não te respondi porque não quis. 

— Huh? Como assim? — Naruto choramingou do outro lado da linha. — Nós sempre conversamos esse horário! Você tá bravo comigo? Fiz algo de errado?

Sasuke suspirou com a onda de perguntas vindas do alfa. Porque Naruto tinha que ser tão grudento e dramático?

— Não, não fez nada, e eu não estou bravo. Mas sabe como evitar que eu fique?

— Como?

— Preciso que venha aqui e me traga comida, agora. Algo macio… e nada instantâneo! — Um silêncio dominou por alguns segundos, o omega até pensou que a ligação teria caído.

— Sasuke Uchiha me pedindo para ir até sua casa? E levar doces? Você está com algum tipo de febre, princesa? — Sasuke bufou e revirou os olhos.

— Em algum momento eu pedi por “doces” por acaso? Quero comida! Comida de verdade.

— Certo, certo…

— Ah, e preciso de um shampoo para piolhos também, — só depois de fazer o pedido que Sasuke parou para pensar no quão inusitado aquilo era, onde Naruto iria encontrar shampoos para piolhos a essa hora? — se conseguir. 

— Shampoo para… o que? Sasuke você teve outra infestação de piolhos e está com vergonha de admitir para mim? 

— Que? Não! Eu nunca tive piolhos, seu idiota.

— Então… pra que precisaria de um shampoo para isso, e especificamente a esse horário? — Sasuke estava começando a ficar irritado com o jeito de Naruto, sempre perguntando e se questionando sobre tudo.

— Só me traga o que eu te pedi, rápido. — Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. — Por favor. — O ômega sentiu seu rosto esquentar de vergonha, porque ele nunca pedia por favor, nunca, e também jamais admitiria futuramente que fez isso agora.

— Certo, chego ai em 15 minutos. — O tom de Naruto não era mais tão brincalhão, e Sasuke realmente esperava que o alfa mantivesse a palavra.

 

Quando Sasuke voltou para o banheiro, viu que o filhote ainda estava na banheira, quase no exato lugar onde havia sido deixado. Suas orelhas, ou pelo menos a que se encontrava em boas condições, parecia descontraída e não mais tão tensa, isso enquanto metade de seu rosto estava enterrado sob a água, e ele se divertia fazendo bolhas na superfície. 

Assim que Izuna viu a figura Sasuke parado ao lado da porta, ele deu um pulo, e se ajeitou desajeitadamente. O Uchiha se conteve para não soltar uma risadinha nasal, não era engraçado, o filhote provavelmente tinha se assustado, mas seu jeitinho atrapalhado era fofo.

— A água ainda está boa? Não esfriou demais? — Ele se aproximou devagar e se agachou ao lado da banheira.

Como resposta, o filhote apenas balançou a cabeça como de costume, não.

— Certo. Desculpa se demorei demais, tive que ligar para um amigo, ele quem vai trazer nossa comida. — Izuna o olhava com aquela carinha de sempre, como se tentasse compreender, antes de concordar silenciosamente.

Sasuke decidiu lavar os cabelos de Izuna com shampoo normal primeiro, até que Naruto chegasse com o anti-piolhos — se ele sequer trouxesse na verdade —, mas mesmo que o alfa não conseguisse trazer, os cabelos do filhote pelo menos estariam limpos até poderem lidar com os piolhos.

Ele abriu o frasco e umedeceu os cabelos de Izuna antes de começar a esfregar, sempre evitando a orelha machucada. Sasuke esfregava bem e então enxaguava, repetindo esse processo quantas vezes achasse melhor. Mesmo sem nada específico, vários piolhinhos já estavam caindo na água apenas com o shampoo normal, isso facilitaria muito o processo mais tarde. Sendo bem sincero, o ômega não fazia ideia de quanto tempo a mais já estavam naquele banho, mas não importava, o filhote precisava sair completamente limpinho dali.



—- Sasuke, tá aí? Cheguei! — Naruto anunciou após bater na porta pela segunda vez e não obter resposta.

Em seu braço havia duas sacolas, uma de plástico com a logo de uma loja de conveniência, e outra sem rótulo. O silêncio por trás da porta só aumentava sua preocupação, mesmo que Sasuke já tivesse confirmado que estava bem. Apesar de ter a chave reserva do apartamento, o alfa primeiro tentou girar a maçaneta e, para sua surpresa, a porta estava aberta.

— Estou entrando! — Ainda sem resposta.

O apartamento estava normal, quente e com o cheiro viciante de Sasuke, mas o próprio ômega não era visto em lugar nenhum, nem na sala ou cozinha. Antes de ir ao corredor do quarto, Naruto percebeu pela fresta debaixo da porta que a luz do banheiro estava acesa, mas nenhum barulho vinha lá de dentro.

Em um de seus impulsos, o alfa girou a maçaneta da porta do banheiro, sua mente definitivamente não pensou que, no momento, Sasuke poderia estar usando o banheiro ou tomando banho, seus instintos só pensavam em verificá-lo logo, garantir que ômega estava bem — e inteiro.

Quando a porta abriu, dois cheiros invadiram suas narinas, o de chocolate amargo e lavanda de Sasuke, e outro cheiro novo, meio… leitoso? Naruto então olhou para o final do banheiro, onde ficavam a banheira e o chuveiro, e lá estava Sasuke, agachado em frente a banheira, e atrás dele… havia alguém? O alfa franziu a testa e abriu mais a porta, ele estava indignado, quem era essa pessoa?

— Sasuke, o que é isso? — Ele perguntou. 

Seu tom não foi alto, mas suficiente para o omega dar um pulo e se virar para trás com tudo, sendo assim, Naruto conseguiu ter visão do semblante de quem antes Sasuke escondia. Era um… filhote?!

— Uzumaki! O que tá fazendo aqui? Quando foi que você chegou? 

O alfa demorou pra responder, analisando a cena em sua frente primeiro, ou melhor, analisando o pequeno que agora estava agarrado ao braço de Sasuke. 

— Bem, eu vim trazer o que você me pediu… quem é esse que você está escondendo de você, Sasuke? — O tom de Naruto era desconfiado.

Sasuke seguiu o olhar do alfa e parou em Izuna, que agarrava seu braço, o lábio do garoto começou a tremer, sua orelha achatada em sua cabeça e o cheiro de leite começava a ficar levemente mais azedo de novo. Sasuke olhou de volta para Naruto.

— Eu já te explico, só sai do banheiro! — O tom de voz do ômega não permitia oposições.

— Ta bom, ta bom… — O alfa esgueirou-se pela porta novamente e a fechou, deixando só os dois ali dentro.

Só quando tinha certeza de que a porta estava muito bem fechada que o Uchiha soltou um suspiro, antes de se voltar à Izuna.

— A-Alfa?... — O filhote perguntou com os olhinhos brilhantes, provavelmente de lágrimas, ele deve ter sentido o cheiro de Naruto.

— Sim, aquele é Naruto, e ele é um alfa. — Sasuke sentiu as mãos em volta de seu braço se apertarem um pouco. — Mas não se preocupe, ele é um alfa bobao e chato, não machuca nem uma mosca, e muito menos tocaria em você.

— Verdade?... 

— Prometo.

O ômega sentiu o apartou em seu braço aliviar antes de soltar completamente, Izuna desviou o olhar para a banheira novamente, e algo no peito de Sasuke apertou.

— Olha, eu vou falar com ele rapidinho e depois volto aqui para te ajudar a sair da banheira, ok? 

Izuna concordou com a cabeça, mas o ômega ainda conseguia sentir tons azedos no seu cheiro, ele teria que conversar bem com Izuna antes de o apresentar a Naruto.



— Quando você chegou? — Sasuke fechou a porta do banheiro atrás de si com cuidado, e o alfa, que estava encostado na lateral do sofá em sua frente, ergueu o olhar do chão para encará-lo.

—- Eu quem deveria fazer as perguntas aqui, né? — O olhar que recebeu não foi muito convidativo, por isso soltou uma risadinha nasal antes de continuar. — Cheguei literalmente agora, bati na porta algumas vezes e te chamei, mas você não respondeu, ai eu entrei. Inclusive, se lembra de trancar a porta quando chegar, você esqueceu hoje de novo.

Nossa, verdade. Sasuke nem se lembrou de trancar-lá na hora em que chegou.

— Esqueci de novo, estava muito ocupado. — Sasuke viu as sacolas em cima do balcão da cozinha — Trouxe o que eu te pedi?

— Ei, ei, calma aí. Você não vai me explicar nada? E nem dizer quem era aquele na banheira?

Sasuke suspirou, como ele iria contar isso a Naruto? Após ficar cerca de três segundos em silêncio tentando encontrar maneiras de colocar a situação em palavras, ele disse:

— Eu o achei enquanto voltava do trabalho, aparentemente alguém havia acabado de jogá-lo na rua. 

— Ãhn, Como assim? — Naruto, como policial, ficou imediatamente em alerta, suas orelhas em pé e cauda eriçada, aquilo era algo sério. — Você viu o rosto de quem fez isso?

— Não, foi tudo muito rápido. Antes que eu pudesse intervir, o carro arrancou, e aquele pobrezinho ficou jogado na calçada, todo machucado e sujo. — Sasuke estava começando a ficar com raiva de novo só de se lembrar da cena, seu cheiro ficando mais apimentado involuntariamente, e Naruto conseguia senti-lo.

— Ei, calma. — O alfa se afastou do sofá e foi até o ômega. Seu primeiro instinto era acalmá-lo. — Isso tudo é muito sério, você deveria ir à delegacia fazer uma ocorrência o quanto antes. — Sasuke apenas murmurou um “hm” — Posso te acompanhar até lá.

— Amanhã. Agora eu preciso terminar de limpá-lo, e ele precisa dormir também, ainda está muito assustado. 

Naruto estudou seu rosto por alguns segundos, a situação podia ser séria, mas ele não perderia a oportunidade de importunar o ômega, a preocupação estampada no rosto dele era tão genuína que chegava ser hilário e adorável.

— Certo, eu não esperava um Sasuke no modo “mamãe ursa” hoje. 

O Uchiha o respondeu com um rosnado e olhar nada divertido, mas sua cauda traidora começou a balançar um pouco mais rápido, o alfa riu da própria piada antes de continuar.

— Se formos amanhã, talvez Kakashi pegue o caso. Você ao menos sabe o nome dele? Ou quantos anos tem?

Sasuke ignorou a primeira parte.

— Izuna, deve ter entre três e quatro anos, já que nem perfume próprio tem ainda, só aquele cheiro leitoso de filhote pequeno.

Naruto balançou a cabeça e soltou um murmúrio, como se organizasse tudo em sua mente.

 — E como está a situação lá? — Ele perguntou apontando para o banheiro com a cabeça. Sasuke suspirou antes de responder.

— Ele estava todo sujo e machucado, cheio de arranhões e hematomas pelo corpo, além de muito assustado. — O alfa fez uma careta ao imaginar. — Ah, aliás, cheio de piolhos. Você conseguiu trazer o shampoo que eu te pedi? 

— Sim, está tudo ali em cima do balcão, inclusive a comida que você pediu também. — Sasuke olhou para as sacolas e foi até elas para analisar o conteúdo. 

Realmente tudo que ele pediu estava ali. Um pote sopa ainda quente, frutas macias cortadas em um recipiente e até algumas algumas balas de caramelo que Sasuke gostava — mesmo que o ômega tivesse dito que não queria doces. — Na outra sacola separada, estava o shampoo pediculicida.

— Gostou das balas? Sei que você gosta muito delas. — Naruto disse se exibindo, como se estivesse se sentindo orgulhoso por mimar o omega com coisas que ele gostava ocasionalmente, os dois fingiam que aquilo não era praticamente cortejo.

— Não pedi por elas. 

Uzumaki só não se sentia ofendido porque conseguia farejar os feromônios de chocolate ficarem mais fortes no ar, além de ter notado como a cauda de Sasuke balançava em contrário a sua fala, e isso, de algum jeito, fazia seu alfa festejar dentro de si, seu próprio rabo começou a balançar em resposta.

— Eu sei. 

Sasuke não respondeu e nem continuou a conversa, ele apenas se virou e ia em direção ao banheiro novamente, com o shampoo em mãos, mas foi interrompido por Naruto.

— Precisa de mais alguma coisa? Talvez ajuda com o filhote…

— Não, eu consigo me virar agora, pode ir embora se quiser.

O alfa balançou a cabeça, ele não iria tão cedo assim.

— Vou te esperar aqui então, quero conhecer o rapazinho, ou pelo menos me apresentar.

— Ele vai se assustar com você.

— Não vai, eu apenas quero me apresentar a ele.

Sasuke suspirou ao perceber que não ganharia essa discussão.

— Ta. — E voltou para o banheiro.

Naruto foi até o sofá e se jogou nele, mas não tirou os olhos da porta do banheiro.



— Voltei de novo, tudo certo por ai? — Sasuke anunciou ao se aproximar da banheira.

Izuna estava com a cabecinha encostada na borda, seus olhinhos quase fechando, provavelmente com muito sono. Mas sua orelha ergueu ao ouvir Sasuke, e ele levantou a cabeça.

— Você deve estar muito cansado, né? — O ômega se agachou novamente e o filhote concordou com a cabeça. — Vamos terminar logo com esse banho então.

Sasuke pegou o shampoo pediculicida e despejou um pouco do conteúdo na cabeça de Izuna, sobre seus cabelos, o filhote soltou um resmungo fofo. O Uchiha sabia que não iria conseguir acabar com todos os piolhos de uma vez só, e aliás, eles estavam a tanto tempo naquele banho que as pontas dos dedos do filhote começavam a ficar enrugadas. 

Depois de enxaguar umas duas vezes, sempre evitando a lesão da orelha machucada, o ômega se levantou para pegar uma toalha e finalmente tirou Izuna debaixo daquela água — água essa que agora tinha uma cor amarronzada, sinal de que muita sujeira havia saído.

No meio do processo de ajudar o filhote a se secar, Sasuke parou. Ele não tinha roupa nenhuma que coubesse naquele pequeno. Talvez suas meias, mas nem a menor das suas roupas íntimas caberia. — Merda, mais um problema para resolver. — Izuna olhou para ele e viu que o ômega havia parado, então parou também, apertando a toalha contra si.

— Sas’ke?... — O ômega levantou a cabeça e arregalou os olhos ao ouvir o filhote chamar seu nome.

A pronúncia não estava totalmente certa, e a voz de Izuna falhou no meio do nome, mas não importava, aquilo na verdade havia deixado a fala mais fofa. Sasuke sentiu seu coração bater mais rápido por alguns segundos.

— Desculpe. — Ele se levantou devagar. — Vou pegar uma roupa para você, tá bom? — O filhote concordou com a cabeça. — Já volto.



Sasuke fechou a porta com cuidado e viu Naruto sentado em seu sofá mexendo no celular. Quando o alfa ouviu o barulho da porta se fechando, ele ergueu os olhos do telefone e encarou o omega.

— Já terminou o banho?

O Uchiha balançou com a cabeça que sim, mas soltou um bufo enquanto passava direto pelo alfa e ia em direção ao corredor do quarto, Naruto notou que ele parecia preocupado, talvez estressado.

— Aconteceu alguma coisa? O filhote tá bem?

— Sim, mas eu não tenho roupas para colocar nele, absolutamente nenhuma.

— E as roupas dele mesmo? Não estava usando nenhuma quando o encontrou?

— Usava sim, mas elas estavam deploráveis, todas sujas e rasgadas. Não vou vesti-lo de novo com aqueles trapos.

Naruto pareceu ponderar por alguns segundos.

— Vou ver se consigo algumas para você — ele disse se levantando.

— Que? É quase meia noite, idiota, onde que você iria arranjar roupas de criança a essa hora?

O alfa olhou para ele e esboçou um sorriso que prometia mundos, Sasuke sentiu seu ômega vibrar dentro dele.

— Não se preocupe, tenho uma ideia em mente. Pegue um de seus moletons para colocar no filhote enquanto isso.

Sasuke queria se opor, dizer que não fazia sentido Naruto tentar procurar alguma loja, porque nenhuma estaria aberta a essa hora, mas o alfa já estava guardando o celular no bolso e pegando as suas chaves do carro.

— E se eu não conseguir roupas agora, amanhã cedo eu já arranjo. Volto logo — ele disse antes de passar pela porta e ir embora.

O ômega não respondeu, apenas aceitou. No fundo, ele esperava que o alfa realmente conseguisse cumprir com o prometido.

 

𖡼     𖡼     𖡼

 

Ele estava no carro, era meia noite e dez, e provavelmente foi por isso que somente na terceira tentativa Iruka atendeu a sua ligação, e Naruto sentiu um alívio que não sentia a séculos.

— Naruto-kun... Aconteceu alguma coisa? Porque está me ligando tão tarde? — A voz do homem era grogue de sono, provavelmente tinha sido acordado, aliás, já era tarde.

— Pai Iruka!... Me desculpe por ligar a essa hora, mas eu realmente preciso de um favor. — O alfa ouviu o farfalhar dos cobertores do outro lado da linha e assumiu que Iruka tinha sentado na cama.

— Claro, me diga o que é, querido… você está bem? — Iruka tinha aquela típica voz doce de sempre, mas com uma pitada de preocupação, idêntica às vezes em que Naruto caia no parque, ralava o joelho, e o ômega mais velho perguntava se estava tudo bem.

— Sim, eu estou bem, pai. O problema é com Sasuke. 

— Sasuke?... Aconteceu alguma coisa com ele? — Naruto sempre achou fofo a preocupação e cuidado que seu pai tinha com o outro omega.

— Não, não! Nós dois estamos bem. — Do outro lado, Iruka suspirou aliviado.

— Mas então o que exatamente há de errado? 

— Eh, bem… Digamos que Sasuke encontrou um cachorrinho abandonado na rua. — Ele fez uma pausa antes de continuar, definitivamente essas não eram as melhores palavras para se usar. — E levou para sua casa.

A ligação ficou silenciosa por alguns segundos, antes que a voz de Iruka aparecesse novamente.

— Ó céus… um filhote abandonado? — Naruto confirmou com um murmúrio. — Mas Sasuke tem as coisas necessárias para cuidar do pequeno?

— Não, esse é o problema. Ele deu um banho no filhote, mas não tem roupas que caibam para vesti-lo, já que ele é muito pequeno. — Era aqui que Naruto queria chegar. — Eu estava pensando, Iruka-pai, se você não pode emprestar algumas das roupinhas de Kaoru pelo menos por hoje,… 

Kaoru era o filhote de cinco anos de Kakashi e Iruka, o garotinho era uma cópia idêntica do alfa-prateado, mas tinha o jeitinho do ômega. Naruto sabia que seus pais adotivos tinham bastante roupas de Kaoru para doação, considerando que o filhote estava crescendo muito rapidamente nos últimos tempos, então talvez alguma delas pudesse servir para Izuna.

— Ah, claro! — Iruka deu uma risadinha — Foi a primeira coisa que pensei quando você falou sobre roupas de filhote, Kaoru tem muitas que não cabe mais nele desde que começou a dar indícios de ser um alfa. Você quer vir buscá-las agora?

— Sim, por favor, prometi a Sasuke que voltaria com elas ainda hoje.

— Você sempre faz promessas de mover o mundo a ele, não é? — Iruka riu mais abertamente dessa vez. — E se eu não tivesse atendido sua ligação? 

— Sendo bem sincero, acho que iria me sentir culpado por não cumprir, mesmo que Sasuke não ficasse irritado — Naruto riu nervoso.

— Você é igualzinho a seu pai alfa mesmo… — O tom do omega era doce ao se referir ao marido. — Estarei te esperando, pode entrar quando chegar, vou deixar a porta da frente aberta.

— Ok! Obrigado Iruka-pai — Naruto disse antes de desligar a chamada.

E quando a ligação cessou, o alfa se deixou cair a cabeça no volante do carro, suspirando profundamente.



A casa de Iruka e Kakashi não era muito longe, uns dez minutos de carro, e por ser tarde, as ruas basicamente não tinham trânsito. Enquanto dirigia, Naruto começou a pensar em toda a situação. Um filhote foi abandonado na rua, Sasuke viu e ainda o levou para casa, mas não conseguiu identificar o rosto dos responsáveis pelo crime de abandono. O caso seria uma grande dor de cabeça para a polícia, mas não era nem esse o fato que mexia com o alfa, e sim outra coisa. A ideia de Sasuke Uchiha, o seu ômega, normalmente sem compaixão pelas pessoas, ter simplesmente decidido levar um filhote para casa e cuidar dele, era algo que fazia seu alfa se encher de orgulho por algum motivo. Ele sabia que Sasuke faria de tudo para evitar problemas, mas também não pensou duas vezes antes de colocar aquele cachorrinho para dentro de sua casa.

Falando no cachorrinho, Naruto estava morrendo de ansiedade de ver como Izuna se parecia, vê-lo direito, e não somente a silhueta por trás de Sasuke. O alfa queria se apresentar, e também queria fazer perguntas para entender melhor o que havia acontecido, mas essa última parte talvez fosse seu espírito de policial falando mais alto.

Naruto se perdeu tanto em seus pensamentos que nem percebeu que já havia chegado a casa dos pais. Ele estacionou o carro perto da entrada e saiu, indo até a porta da frente. Ela realmente estava aberta como Iruka disse que estaria, e a luz da cozinha iluminava o corredor e o resto da casa escura, seu pai omega devia estar lá. 

Seguindo até a cozinha, Naruto conseguia ouvir Iruka cantarolando baixinho, e também sentia o cheiro característico e reconfortante de seu pai, doce e acolhedor como sempre. Ao parar no batente da porta, viu o ômega de costas, mexendo em algo no fogão. Em cima da ilha da cozinha havia uma lancheirinha térmica, com desenhos de coelhos estampados, e dentro alguns lanches. Naruto limpou a garganta e Iruka parou o que estava fazendo, virando a cabeça para trás.

— Oh, Naruto, você chegou. — O tom era menos grogue que antes, mas seus cabelos estavam soltos e despenteados, seus olhos cansados.

— Boa noite, Iruka-pai, o que é isso? — Naruto perguntou se referindo a lancheira.

— Hm? Ah sim. Eu empacotei alguns lanches para você levar a Sasuke. Tem comida tanto para ele quanto para o filhote. — ele se virou e em suas mãos estava uma mamadeira com leite recém colocado, que ainda saia vapor. — Fiz essa mamadeira para o cachorrinho também, eles normalmente gostam de leite nessa idade. — O ômega diz se lembrando de Kaoru.

Naruto sentiu o peito inchar, seu pai sempre foi extremamente atencioso com as pessoas, mesmo que não pedissem. 

— Você não precisava, pai, mas muito obrigado, de verdade. 

Iruka colocou a mamadeira cheia na lancheira térmica, a fechou e contornou a ilha da cozinha para ir até Naruto entregá-la. Nessa idade, o alfa já era maior que o próprio Iruka, não tanto, mas o suficiente para que o ômega precisasse olhar para cima.

— Você não precisa agradecer, meu filhote, sabe que eu gosto de ajudar você e Sasuke. — O cheiro de camomila e mel de Iruka envolveram Naruto, e o alfa só conseguia relaxar ao sentir o perfume calmante.

Iruka estendeu a lancheira para Uzumaki, que aceitou e a pegou, o ômega soltou um ronronar baixo como resposta. — Naruto sempre ficou encantado com o modo como os ômegas conseguiam ronronar assim.

— Deixe-me pegar as roupas no quarto de Kaoru para você. — Iruka disse se virando para sair da cozinha, Naruto concordou com a cabeça.

Se passaram alguns minutos e o alfa esperou pacientemente até que Iruka voltasse com as roupas, ele só não esperava que o ômega voltasse com filhote sonolento em seu colo e nem com uma mochila inteira cheia de roupa.

Kaoru estava agarrado a Iruka, uma das suas mãozinhas estava em volta do pescoço do homem mais velho e a outra esfregava seu olho.

— Naru-chan… — O filhote disse com a voz rouca e sonolenta, mas seu rabinho prateado balançava em um ritmo constante ao ver Naruto ali.

— Oi Kaoru, eu te acordei? — O alfa se aproximou e bagunçou seus cabelos.

— Não… — Ele balançou a cabeça negativamente — Papai… — e escondeu o rosto no pescoço de Iruka, quase voltando a dormir.

Os dois adultos riram do jeito do filhote mais novo. Iruka passou a mãos nas suas costas e começou a balançar ele em seu colo 

— Me desculpe, ele acordou de repente e queria porque queria colo. Mas aqui está, querido. — Iruka disse entregando a mochilinha laranja com estampa de raposinhas, não tão grande, cheia de roupas. 

— Ah, está tudo bem. Mas… acho que isso é muito Iruka-pai… — Naruto disse se referindo à mochila — Uma ou duas mudas de roupas seriam o suficiente, é só até Sasuke descobrir o que fazer com o filhote.

— Não seja bobo, Naruto-kun. Nenhuma dessas roupas cabem mais em Kaoru, e é melhor que esse filhote que Sasuke está cuidando tenha bastante opções de roupas caso ele não goste de alguma.

De novo Naruto pensou, como ele consegue pensar tanto em alguém que nem conhece? Mas no final deu uma risadinha e estendeu a mão para pegar a mochila de raposinhas.

— Certo, obrigado de novo, pai. Você está sendo muito gentil. 

Iruka somente riu e soltou um ronronar mais forte enquanto inclinava a cabeça sobre a de Kaoru, que já havia adormecido em seu colo. 

— Já disse que não precisa agradecer, Naruto. Agora vá, Sasuke deve estar esperando por você junto com o filhote.

— Certo, boa noite Iruka-pai. 

— Boa noite filhote, diga a Sasuke que mandei abraços a ele. — Naruto apenas concordou com a cabeça enquanto saía da cozinha.

Depois que o alfa foi embora, Iruka trancou a porta da frente, apagou a luz da cozinha e depositou um beijo na cabeça de seu filhote. Kaoru, mesmo no meio do sono, soltou um resmungo e se aconchegou mais no colo de seu pai.

Iruka seguiu para cima, indo direto para o quarto do casal, decidido de que Kaoru dormiria com ele e Kakashi.

 

𖡼     𖡼     𖡼

 

Sasuke faz assim como Naruto sugeriu. Pegou o menor dos seus moletons e meias para vestir o filhote. Infelizmente, não encontrou nenhuma peça íntima que coubesse, mas só o moletom já fazia papel de vestido, cobrindo praticamente todo o corpinho de Izuna e passando até um pouco do joelho.

Agora, nesse momento, fazia vinte e sete minutos que Naruto havia saído e ainda não tinha voltado. Sasuke já havia secado o filhote e colocado sua roupa nele, não era das melhores, porque ficava muito grande, mas Izuna parecia confortável. Depois de devorar o pote de sopa que Naruto trouxe, o filhote se encontrava no colo de Sasuke, enrolado em um cobertor macio e de cor verde.

Sasuke quase não soube o que fazer quando Izuna estendeu os bracinhos para ele depois que terminou de vesti-lo, mas de qualquer jeito o omega não conseguiria resistir à expressão adorável daquele cachorrinho, por isso o ergueu em seu colo.

Os olhinhos do filhote lutaram para se manterem abertos, mas no final, Izuna perdeu a luta contra o sono, e agora estava dormindo profundamente com a cabeça enterrada na curva do pescoço de Sasuke. O ômega congelou na hora, mas relaxou logo depois, se sentou no sofá com Izuna ainda em seu colo e começou a liberar mais de seus feromônios.

O próprio ômega estava quase dormindo quando Naruto chegou. O alfa foi tão silencioso em abrir a porta que Sasuke só percebeu que ele havia chegado porque sentiu o perfume característico de laranja e pinho, abriu os olhos e viu o alfa ali, parado com a mao no peito e encarando os dois com uma expressão idiota de carinho.

— Ele já dormiu? Vocês são tão fofos juntos! — O rabo de Uzumaki balançava em um ritmo constante e feliz.

— Tsk, cale a boca. — A voz de Sasuke estava rouca, provavelmente de sono e cansaço.

Naruto sorriu com a resposta bem típica de Sasuke. Se aproximou do sofá e colocou tanto a mochila de raposinhas e lancheira de coelhos em cima do móvel. O ômega lançou um olhar confuso para ele.

— O que é tudo isso?

— As roupas que você pediu. E mais comida também. — A carranca confusa de Sasuke só aumentou.

— Essa mochila inteira é de roupa? Onde você arranjou isso, Naruto? — O alfa riu.

— Iruka quem deu, eram roupas antigas de Kaoru. Ele quem preparou a lancheira também. — Sasuke ficou em silêncio por alguns segundos, processando tudo.

— Você foi até a casa de Iruka e Kakashi apenas para pedir roupas e comida?

— Meio que sim. — Ele coçou a cabeça. — Na verdade pedi apenas por algumas mudas de roupa, mas Iruka insistiu que eu trouxesse essa mochila cheia, e esses lanches. — Fazia sentido, Sasuke sabia o quão atencioso Iruka era, mas achava que tudo aquilo talvez fosse demais. — Ele te mandou abraços, inclusive.

— Hm, certo. 

Sasuke passou os braços em volta do corpinho adormecido de Izuna e o tirou de seu colo, colocando ele deitado no sofá. Naruto olhou para o filhote com curiosidade, era uma pena que o filhote tivesse dormido e não se conheceram primeiro.

— Ele já comeu? Ou dormiu direto? 

O alfa desviou o olhar do cachorrinho adormecido para Sasuke que havia pegado a lancheira e a levava até a cozinha.

— Comeu e depois dormiu, acho que ele estava morrendo de fome, porque devorou a sopa em minutos. 

Abrindo a lancheira, Sasuke viu o conteúdo, e havia bastante. Alguns sanduíches naturais, papinhas de frutas e legumes, um pote de sopa caseira, duas caixas fechadas de leite, e uma mamadeira recém preparada, ainda quente. Era muita coisa.

— Tem algo de errado com a orelha dele?

A voz de Naruto o tirou de seus pensamentos, e ele se virou. O alfa estava agachado na frente do sofá onde Izuna dormia, analisando o pequeno com cuidado.

— Sim. Uma lesão na base, parece feio, ele não consegue manter essa orelha em pé.

— Isso não é bom. 

Sasuke murmurou em resposta e voltou sua atenção a guardar as coisas.

— Mas amanhã, depois de fazer a ocorrência, eles vão levar ele a um hospital antes de entregá-lo, então o pequeno vai ficar bem.

Sasuke congelou.

— Entregá-lo? Para quem? 

O alfa ergueu o olhar e o encarou confuso, como se fosse óbvio.

— Ao conselho tutelar. O Jisou vai saber o que fazer com o filhote depois da avaliação médica, se ele pode retornar a casa de algum familiar ou se vai para um abrigo temporário caso não tenha nenhum.

O ômega ficou imediatamente em alerta, suas orelhas e cauda eriçadas.

— Ele não vai a nenhum abrigo — disse firme.

— Hm? — Naruto estava mais confuso ainda.

— Digo, se não tiver ninguém para ficar com ele, eu fico. — Sasuke se corrigiu, mas confessa que sentiu um pouco de vergonha depois de perceber que estava agindo tão na defensiva, por isso desviou o olhar.

Naruto praticamente congelou com a resposta, ele realmente não esperava isso do ômega, ficou até sem palavras na hora.

— Você quer ficar com ele, Sasuke? Porque isso do nada?

A verdade era que nem o próprio Sasuke sabia. Desde o momento em que encontrou o pequeno jogado naquela calçada, o ouviu chamando seu nome ou até mesmo foi pedido por colo, seu ômega interior só conseguia agir como se Izuna fosse, de alguma forma, seu. E Sasuke não era tolo, ele sabia que Izuna não era seu filhote, então se algum familiar aparecesse para buscá-lo, ficaria aliviado em saber que o pequeno estava seguro, mas se não tivesse ninguém, não deixaria Izuna ir para um abrigo, de jeito algum. Ele próprio já viveu em um abrigo, depois do homicídio de seus pais, e era horrível viver lá, um dos piores momentos da sua vida foi ter que morar em um abrigo temporário.

Vendo que o cheiro de Sasuke estava começando a ficar azedo enquanto perdido em pensamentos, sem indícios de responder a pergunta, Naruto suspirou, ele sabia da história de Sasuke, por isso levantou do chão, chamando de novo pelo ômega.

— Sasuke. — o ômega olhou. — Você sabe que nem todos os abrigos são… — ele foi interrompido por um rosnado.

— Eu disse que não. — Seu tom não abria espaço para conversas.

Naruto sabia que quando o ômega colocava algo na cabeça, não era qualquer um que conseguiria tirar facilmente, então decidiu deixá-lo, pelo menos era uma coisa boa.

— Certo, eu te ajudarei se esse for o caso.

Sasuke o encarou com surpresa, sentiu as bochechas corarem e sua cauda dar uma balançada, por isso desviou o olhar rápido, mas o alfa viu, e abriu um sorriso grande. 

Enquanto Sasuke terminava de guardar as coisas que Iruka havia dado na geladeira, Naruto olhou para o horário pelo celular, era quase uma da manhã, desde quando a hora passou tão rápido assim?

— Já tá bem tarde, acho melhor eu ir indo — ele anunciou.

O ômega o olhou de relance e soltou um murmúrio, nada mais, mas tudo bem, aquilo era costume. Guardou o celular no bolso e encarou o filhote pela última vez.

— Cuida bem desse pequeno. Amanhã eu apareço aqui para acompanhar vocês na delegacia.

Naruto foi em direção a porta e já estava prestes a sair quando Sasuke o chamou.

— Ei, espera.

O alfa automaticamente parou na porta, olhando diretamente para o omega que retribuía o olhar da cozinha.

— Obrigado — Sasuke disse rápido, mas precisamente. E logo voltou o olhar para outro lugar.

Naruto sentiu o coração palpitar no peito, sua cauda começou a se mover, e seu alfa a comemorar. Sasuke quase nunca agradecia, nunca pedia por favor, mas hoje ele fez tudo isso, e Naruto estava profundamente orgulhoso. Ele respondeu com um aceno de cabeça, antes de passar pela porta e a fechar.

Antes de sair, Naruto não pode ver, pela distância e local onde Sasuke estava, atrás do balcão, mas a cauda do omega também sem movia em um ritmo alegre, contrariando o tom sem interesse de sua voz.

 

Notes:

"Ah, mas não faz sentido Izuna ser o filhot-" SHH 😭 pois na minha história vai ser sim. Eu acho que Izuna é uma copia idêntica de Sasuke (ou talvez o contrario?) e sinceramente ele é muito fofo, combina ser retratado como um filhote rs. Mas se você não gosta ou não consegue imaginar, tudo bem, pense no filhote como preferir.
Inclusive, estou postando isso sem revisar, então talvez tenha alguns erros de escrita ou o desenvolvimento só esteja muito ruim mesmo, mas quando eu tirar um tempo para revisar, edito esse capítulo de novo.